domingo, 14 de dezembro de 2008

Formação de Livreiros 1: problemas

Trabalhamos com um produto, o livro, que é, até o presente momento, o suporte mais comum e eficiente para a transmissão, ao longo do tempo, do conhecimento produzido por gerações e gerações de habitantes deste planeta. No Brasil, entretanto, mesmo com um produto tão eficiente e tão carregado de simbolismo, o mercado do livro, principalmente para a parte de livrarias, não consegue formar profissionais para atender à demanda que o mercado requer e necessita.


Aproveitando o gancho de um post do Gerson Ramos no seu blog Vivo de Livro, sobre como deve ser chamado o profissional que trabalha nas livrarias no atendimento direto ao cliente, levanto aqui uma nova alternativa: livreiro. À primeira vista pode parecer uma questão de menor importância, mas acho que a falta de um nome que dê "cara", que possa identificar uma profissão à simples menção dele, não estimula que se pense de forma consistente, contínua e de longo prazo em formação profissional, em cursos técnicos, em métodos de ensino, em pesquisas na área etc. Trabalhar numa livraria, salvo raras exceções no mercado, é visto, é percebido pelas pessoas, como um emprego temporário (até que apareça algo melhor), e não como um trabalho que tenha a perspectiva de uma carreira e de crescimento na empresa e na área. Esta visão independe do nível de formação escolar das pessoas, tenham elas o ensino fundamental, médio ou superior, completo ou não. Afinal, quem não gosta de ter um nome profissional que identifique, perante os outros, a sua área de trabalho, seja ele torneiro mecânico, garçon, economista, revisor etc, etc. ? Portanto, se a profissão de livreiro não existe, por que investir nela?


Se pensarmos no livro como produto final de uma cadeia de produção, a livraria, seja ela física ou virtual, fica no fim dessa cadeia e exatamente no ponto onde acontece a realimentação da mesma, isto é, o momento em que ocorre a venda do livro para o consumidor final - o cliente, o leitor. Pensando ainda em termos de cadeia de produção, na área editorial, que fica antes das livrarias, os profissionais que lá trabalham como, editores, revisores, designers, produtores gráficos etc., passam por uma formação profissional, na maioria das vezes universitária, de vários e vários anos. Por mais paradoxal que pareça, a existência de inúmeros cursos universitários, tanto públicos quanto privados, com investimento de recursos financeiros para a formação de profissionais capazes de produzir o livro, é inversamente proporcional a inexistência de cursos, técnicos ou universitários, para a formação de profissionais para a venda desse livro produzido. Se o livro é um produto especial e com uma variedade imensa (são 20 mil novos títulos por ano só no Brasil), como é que não se investe na formação de profissionais para a área de venda nas livrarias? Não adianta pensar que uma pessoa que faz um curso de vendas para o comércio em geral, seja sapataria, loja de roupas ou qualquer outra, estará apta para vender numa livraria. Quantos tipos de sapatos podem ser oferecidos numa sapataria? Uns 300 ou 500? E no máximo divididos em para mulheres, homens e crianças. Numa livraria podem ser oferecidos mais de 2 milhões e 600 mil títulos, para entrega imediata ou a encomendar, e divididos por centenas de áreas.


De uns poucos anos pra cá, algumas iniciativas começaram a surgir, como a Universidade do Livro da Unesp e a Escola do Livro da CBL em São Paulo, e a Estação das Letras, no Rio de Janeiro, com o projeto Livraria do Séc XXI. Neste ano de 2008, a ANL, passou a oferecer em São Paulo, o curso capacitador nas livrarias. São iniciativas importantes mas que, infelizmente, não suprem a necessidade do atual mercado livreiro no que diz respeito às livrarias. Na hora em que uma livraria Cultura, Saraiva, Travessa, Livraria da Vila, Livrarias Curitiba, Fnac etc, pensam em expandir seus negócios ou um empresário-livreiro pensa em abrir sua primeira loja ou filial, o principal problema comum não é a falta de capital para investir e, sim, a falta de mão-de-obra especializada. As redes ainda têm a facilidade de atrair a mão-de-obra que já existe no mercado (vide os sites delas onde sempre existe uma chamada para recrutamento e seleção). Ainda no caso das redes, onde a concorrência é a cada dia mais acirrada, não é possível esperar que a mão-de-obra simplesmente apareça e, por isso, são obrigadas a investir elevados recursos para a formação da mão-de-obra de que necessitam. Esses recursos poderiam ser investidos na abertura de novas lojas e melhoria dos sistemas de gerenciamento, o que aceleraria o crescimento do mercado como um todo.


Portanto, está mais do que na hora que editoras e livrarias e suas entidades representativas, como Snel, CBL, ANL, Libre, Abrelivros, ABEU, ABDR etc, pensem no mercado do livro com uma visão mais ampla, para além do seu negócio específico, sob o risco de estagnação de todo setor. Não adianta ter a capacidade de produzir cada vez mais e melhor e perder a capacidade de vender. Livros em excesso nos depósitos das editoras são mais do que estoque; viram encalhe.


Em um próximo post espero poder apresentar algumas alternativas para os problemas relatados acima. Não é mais possível esperar que a formação de uma pessoa ocorra somente pela observação do que os outros fazem e pelo seu próprio fazer diário, com seus erros e acertos, como foi o meu caso. É necessário sistematizar o conhecimento e encontrar métodos eficientes e rápidos de transmissão aos interessados na área do livro.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Cliente ou Consumidor?

Como você, caro livreiro, vê as pessoas que compram na sua livraria? A resposta a esta pergunta, muito provavelmente, revelará suas práticas de trabalho diariamente utilizadas. Segundo definição encontrada no dicionário Aurélio, consumidor "é aquele ou aquilo que consome"; cliente é "aquele que usa os serviços ou consome os produtos de determinada empresa ou de profissional". Portanto, a definição de cliente é muito mais ampla, muito mais abrangente, como acho que deve ser.

Cliente deve ser pensado como a base, como os pilares de seu negócio. Nesta perspectiva, é fundamental que as livrarias tenham e/ou trabalhem para reunir o maior número de informações a respeito de cada cliente. A informação mínima é saber nome e endereço físico e/ou de e-mail. Se você não tem esses dados atualizados e minimamente organizados, sinto informar que você não tem clientes e sim consumidores que, a cada dia, podem ir consumir em outras livrarias.

Quem ainda não percebeu que é fundamental ter clientes, estejam eles próximos ou fisicamente afastados, e que fidelizá-los é difícil e demanda tempo e investimento, e que perdê-los é muito fácil e rápido, deve parar e repensar seu negócio. Mas, o que é ter clientes e como fidelizá-los?

O mercado livreiro tem como prática seguir os preços de capa sugeridos pelas editoras. Salvo promoções pontuais e eventuais, os preços de venda da maioria absoluta dos títulos são os mesmos nas livrarias, sejam elas pequenas, médias ou grandes. Então, se o preço é igual ou muito parecido, o que leva o cliente a comprar livros numa livraria e não em outra, mesmo que estejam fisicamente próximas?

Algumas possibilidades de resposta: atendimento e/ou serviços oferecidos e/ou acervo. Julgo o atendimento o ponto mais importante para o sucesso ou não de um negócio. Como já comentei em post anterior, com bom atendimento é possível vender até o que não se tem em estoque no momento. Por isso, acho inconcebível que um cliente quando entra numa livraria e pergunta se tem determinado título receba, como resposta, um simples e único não encerrando-se, assim, o atendimento ao cliente. O problema não está no fato de não ter o livro em estoque, mas sim, em não continuar o atendimento informando ao cliente se o livro está esgotado ou não. No caso de estar disponível na editora, deve-se oferecer a possibilidade de encomendá-lo para o cliente e também informar o prazo em que deve chegar. Se a livraria tiver infraestrutura para tal, deve-se ainda oferecer a possibilidade de entregar o livro no endereço que o cliente indicar e, é claro, sem custo adicional. Lembre-se que o livro não estava disponível no momento em que o cliente o queria comprar. Portanto, para realizar essa venda, será necessário um custo extra mas, acredite, valerá a pena.

Na segunda hipótese, a do livro solicitado estar esgotado, o livreiro deve ser capaz de oferecer ao cliente outros títulos do mesmo autor e/ou títulos de autores relacionados com o tema do livro solicitado inicialmente. É claro que para o livreiro poder fazer o atendimento descrito acima é necessário que ele disponha de instrumental mínimo, qual seja, um cadastro de livros confiável e diariamente atualizado (ver post Como Vender Livros Demais?, 3 parágrafo). Além disso, é necessário que o livreiro tenha o hábito de ler e possua um acúmulo de leitura e/ou de informações sobre livros, que lhe permita fazer associações para além de uma pesquisa num cadastro de livros.

A parte de serviços que uma livraria pode oferecer a seus clientes é bem ampla. É importante ressaltar que não são somente recursos financeiros que possibilitam oferecer tais serviços mas, também e principalmente, a criatividade. Que serviços podem ser esses? Vou listar alguns:
01-reserva de livros e encomendas;
02-pesquisa de livros sobre determinado assunto e/ou autor (es);
03-entregas em domicílio;
04-parcelamento das compras sem juros;
05-programa de pontuação de compras e posterior bonificação em produtos;
06-pré-venda, com garantia de entrega rápida, de livros de grande expectativa gerada pela mídia;
07-produtos com diferencial exclusivo para clientes cadastrados como, por exemplo, livros autografados;
08-envio de mala direta e/ou e-mail marketing (previamente autorizado pelo cliente) com promoções exclusivas para esse envio;
09-no mês de aniversário do cliente ele pode receber um brinde ou um bônus financeiro para compras a partir de determinado valor;
10-vender vale presente para um cliente poder presentear outras pessoas;
11-palestras e mini-cursos;
12-eventos para crianças como contação de histórias, atividades manuais, teatrinho etc;
13-contação de histórias para adultos;
14-pocket shows;
15-grupos de leitura e discussão;
16-espaço café;
17-não dificultar a troca de produtos comprovadamente adquiridos na loja, principalmente no caso de defeito gráfico, pois as editoras depois também fazem a troca. Enfim, o limite de serviços que podem ser oferecidos será definido, principalmente, pela sua criatividade ou pela falta dela. E isso, independe do tamanho da livraria. Ofereci a maioria desses serviços numa loja de 30 m2, localizada no terceiro piso de uma galeria comercial e sem janela pra rua.

Por fim, chegamos à parte do acervo, que é o primeiro elemento que definirá seu público. É claro que a localização física da livraria também será importante para definir a escolha do acervo inicial. Digo inicial pois, ao longo do tempo, o dia-a-dia na livraria poderá indicar necessidades e experiências com acervo, digamos, não tão óbvio à primeira vista. Mas, voltando à localização física da livraria, segue um exemplo: em 1986 tive uma livraria, a Bruzundangas, dentro do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, o IFCS, na UFRJ no Largo de São Francisco. Os cursos lá oferecidos são os de História, Filosofia e Ciências Sociais. Logo, o acervo era direcionado para essas áreas. Não adiantava ter livros na área de ciências exatas, ou direito, ou medicina por exemplo. Livros de interesse mais geral, como literatura, apenas complementavam o acervo. Portanto, na hora da escolha do acervo, deve-se privilegiar aquele que atenda seu público alvo - partindo do pressuposto que você, livreiro, já o tenha previamente identificado. É melhor ter um acervo bom em poucas áreas, que possa ser identificado como referência pelos clientes, do que tentar ter um pouco de muitas áreas imaginando, assim, que abrangerá um público mais amplo. Não se iluda; quem tem poucos títulos de muitas áreas, na verdade, não tem nada em termos de acervo. Não será uma livraria referência e, portanto, não terá futuro no cada vez mais exigente mercado livreiro.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Como Vender Livros Demais?

No último post deixei algumas interrogações em torno da questão "livros demais?". Vamos às questões práticas que envolvem a exuberante produção editorial brasileira. Alguns pontos para reflexão:
1-como saber se um livro existe, se o livreiro não o tem na loja?
2-como selecionar o acervo dentre tantas opções?
3-como vender o que não está disponível fisicamente na livraria?

Pra começar, e já que o nosso produto é livro, suporte para a transmissão do conhecimento, é fundamental, é básico, que qualquer livraria, seja ela pequena, média ou grande, tenha acesso rápido e eficiente às informações diárias sobre os lançamentos das editoras que foram feitos ontem, ou hoje e os que ainda estão por vir. De posse dessas informações será possível vender hoje o que ainda não existe; o que existirá somente daqui a uma semana, daqui a um mês ou mais.

Existem basicamente dois caminhos para se ter essas informações e a necessária e permanente atualização das mesmas: ter um setor de cadastro próprio, o que demanda investimento alto, tanto de pessoal (muito) quanto de meios, como instalações físicas, telefonia, internet ágil etc., etc. O outro caminho, que julgo com custo x benefício melhor, é ter uma "assinatura" do cadastro de livros oferecido por algumas das empresas que atuam no mercado como, Superpedido, Via Logos, Elipse etc. Destas, a Superpedido também é hoje uma das principais distribuidoras de livros no país e trabalha com mais de 600 editoras. Não considero como boa opção utilizar, de forma permanente, os sites de alguns dos principais vendedores de livros via web como Cultura, Saraiva, Submarino, para ter acesso a essas informações. Nesta situação, nem que seja simbolicamente, seu negócio estaria sempre atrás desses outros.


Com milhares de opções, como escolher o acervo de uma livraria? Vou contar algo que vivenciei para, talvez, responder. Era o ano de 1998 e a Contra Capa Livraria, que existia desde 1992, iria abrir sua primeira loja de rua, e no Leblon, no Rio de Janeiro. Pensei: a venda vai aumentar muito e rapidamente pois, além dos clientes já fidelizados na área de humanas, passaríamos a vender para um público mais amplo; imaginei que passaríamos a vender também os livros das listas de mais vendidos, os best-sellers, e fiz pedidos de montes de Paulo Coelho, Sidney Sheldon etc. para fazer exposição em pilha. E, então... continuamos a vender Raduan Nassar, Italo Calvino, Domingos Pellegrini, isto é, o que já vendíamos. Conclusões: o acervo de uma livraria atrai um determinado público e, mudar esse perfil, até é possível, mas não é rápido e deve ser bem pensado para ser executado com sucesso. Outra conclusão importante é: tente ser melhor ainda naquilo em que você já é bom. Portanto, se a sua livraria tem um bom acervo e vende bem em determinadas áreas, trabalhe para que ela seja a melhor, para que seja a referência nessas áreas. O que garante a longevidade de uma livraria, de uma editora, são os long-sellers; os best-sellers ajudam. Vamos a um exemplo prático. O livro Filosofia do Tédio, publicado pela Zahar e que, claramente, não é um best-seller, teve uma venda numa rede de livrarias 10 vezes superior à segunda colocada; e essa diferença não é de alguns poucos exemplares; ela é da ordem de algumas centenas de exemplares. Que livraria pode abrir mão de uma venda de várias centenas de exemplares de um livro?


Por maior que seja o espaço físico de uma livraria (a Cultura do Conjunto Nacional tem 4.300 m2), nenhuma consegue ter em seu acervo físico, de imediato e à mão, tudo o que está disponível. Entretanto, não é por esse "pequeno" detalhe que é aceitável perder uma venda, por menor que ela possa parecer. Com informação disponível, livreiros capacitados, treinados e estimulados financeiramente, é possível vender o que não se tem na loja naquele momento e entregar depois. Mais uma pequena historinha vivenciada. Corria o ano de 1995 ou 96, século passado. A Contra Capa Livraria tinha crescido e dispúnhamos, então, da planilha excel, do Office. Não era sistema gerencial, não. Entra um cliente na loja e pede um determinado livro. Vou na seção onde deveria estar e não o acho. O que me resta? o catálogo da editora e, no qual está escrito, esgotado. Pergunto se o cliente não quer deixar nome e telefone para o caso de eu conseguir algum exemplar; ele dá as informações e as registro na planilha excel. De tempos em tempos organizava a planilha pela coluna esgotado. Um belo dia vejo que aquele título solicitado pelo cliente já estava disponível novamente pois, "ontem", tinha feito pedido dele para o acervo normal da livraria. Feliz, ligo para o cliente e informo que o livro solicitado por ele, há um ano atrás, e que naquela época estava esgotado, a livraria o tinha agora em estoque. Pergunto se ele ainda necessitava dele e o cliente, sem acreditar, pede para reservá-lo pois ía sair de casa naquele momento para ir buscá-lo na livraria. Mais importante do que fazer uma simples venda, foi fidelizar mais um cliente, que é a base para o sucesso ou não de uma livraria.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Livros Demais?

A cada semana mais e mais livros chegam às livrarias a ponto de, com freqüência, ouvirmos os livreiros dizer que estão sem espaço nas lojas. Mas que ordem de grandeza é essa realmente?

Segundo pesquisa realizada pela FIPE - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, encomendada pela CBL e pelo SNEL, para apurar a produção e as vendas do setor editorial brasileiro no ano de 2007, foram lançados 18.356 títulos em primeira edição, isto é, são novos títulos acrescentados no mercado neste ano específico e assim distribuídos:

1.221 de literatura infantil
404 de literatura juvenil
2.713 de literatura adulta
477 de línguas
1.027 de religiosos
880 de filosofia e psicologia
539 de artes, lazer e desportos
153 de ciências puras
1.237 de tecnologia e ciências aplicadas
2.802 de ciências sociais
5.849 de educação básica
184 de geografia e história
284 de generalidades
586 outros

Considerando que o ano tem 52 semanas logo, são 104 dias entre sábados e domingos; considere-se também uma média de 24 dias de feriados nacionais, estaduais e municipais. Sobram, portanto, 237 dias; dividindo-se pelo número de lançamentos tem-se uma média de 77 novos títulos por dia.

Mais alguns números para comparação; Gabriel Zaid no seu livro "Livros Demais! saber ler, escrever e publicar" informa que entre 1450 e 1500 foram publicados em torno de 15 mil títulos. "Em 1550 a bibliografia acumulada era em torno de 35 mil títulos; em 1650 era de 150 mil; em 1750 alcançou 700 mil; em 1850 foi de 3,3 milhões; em 1950 era de 16 milhões e, no ano 2000, atingiu 52 milhões." pág 21. A Livraria Cultura tem uma chamada no Google em que diz que "temos mais de 2.629.392 títulos esperando por você." (vale pra este momento, é claro).

E então, são livros demais ou não? Como escolher os títulos que devem estar no acervo de uma livraria dentre os 7 mil do grupo Ediouro, dos 5 mil do grupo Record, dos 3 mil da Cia das Letras, dos 1.200 da Zahar etc., etc. E como fica aquele primeiro título publicado ontem por uma nova editora? Editoras surgem quase que diariamente... Ah, e os títulos que não cabem fisicamente na livraria, ficam aonde? No depósito das editoras? Mas, se existe um livro publicado é muito possível que alguém possa se interessar em comprá-lo, nem que seja algum amigo, parente ou até o próprio autor. Tem livreiro que abre mão de uma possível venda? Começo a achar que sim.
Num próximo post voltarei a estas interrogações; espero que com possíveis respostas.

sábado, 15 de novembro de 2008

Espaço Infanto-Juvenil nas Livrarias

Uma pequena nota na revista Exame n. 931 de 19/11/2008 deu-me o gancho para este post. A nota é a seguinte: "O Brasil ganhou destaque na operação global da rede francesa Fnac. A operação brasileira, (...) é a que mais cresce no mundo, com aumento de 30% sobre as vendas de 2007. (...) Mas o destaque mais recente é a área de produtos infantis, que engloba livros, filmes e aparelhos eletrônicos. A venda de produtos para crianças cresceu tanto que, no último mês, todas as lojas da Fnac foram reformadas e a área infantil passou de 50 para 100 metros quadrados."


Fui atrás de alguns números para ajudar a comprovar a nota, mas só existem números relativos à produção de exemplares, que servem assim mesmo. Na pesquisa encomendada à FIPE pela CBL e Snel para o ano de 2007, o número de exemplares infanto-juvenis impressos foi de 23.275.320, o que equivale a mais 14,33% sobre o ano de 2006, quando foram impressos 20.357.066. Nestes números estão incluídas as vendas para governo. Como nenhum editor fica imprimindo livro à toa, pode-se inferir que as vendas aconteceram em números muito próximos da impressão. Mais um dado para ressaltar o crescimento dos infanto-juvenis: na área de literatura adulta, que é a que mais vende na maioria das livrarias, o número de exemplares impressos foi de 22.400.337 em 2006 e de 21.967.730 em 2007. Portanto, o número de impressões de exemplares infanto-juvenis foi maior do que o adulto em 2007.


Pensando bem, nem seria necessário apresentar os números acima para comprovar o crescimento da área infanto-juvenil; basta olhar para as livrarias físicas e ver como estão esses espaços e como eram eles antes do ano 2000. Uso o ano 2000 como divisor pois, nesse ano, é inaugurada a loja da Livraria Cultura no shopping Villa-Lobos em SP, que vem com a novidade de uma grande área infanto-juvenil nitidamente pensada como tal. Essa área tem um gigantesco dragão em madeira como personagem, o que possibilita a exposição diferencida de livros e permite que os pequenos leitores interajam com ele. Hoje, tanto nas grandes redes quanto nas pequenas e médias livrarias, existe uma preocupção em oferecer espaços infanto-juvenis diferenciados, inclusive com eventos nos finais de semana, com contação de histórias, teatrinho e atividades manuais lúdicas, para atrair cada vez mais as crianças e os pais ou adultos responsáveis que, assim, passaram a ter uma opção de diversão barata para as crianças. Como criança não vai sozinha às livrarias esses espaços possibilitam vendas em todos os setores da loja pois os adultos, necessariamente, também estarão nas livrarias. Quem ainda não percebeu a importância da área infanto-juvenil tanto na venda imediata, quanto na formação do consumidor de livros adultos, em que se transformará a criança de hoje, é bom se juntar ao movimento.


Para quem ainda não se deu conta, no catálogo da Zahar também existem publicações infanto-juvenis. A editora começou essa nova área em 2001 com a publicação de As Peripécias de Pilar na Grécia, de Flávia Lins e Silva. Essa nova área mantém a qualidade editorial da casa, o que pode ser atestado pelas constantes compras por parte de órgãos governamentais (PNLD, FDE, etc) e adoções escolares. Segue a relação de alguns dos títulos:





































sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Novidade X Catálogo?

O mercado editorial passa por um período de excessiva valorização da "novidade", tanto por parte das editoras quanto das livrarias. Mas, afinal, o que é a "novidade"? É o livro que foi lançado ontem ou o será amanhã, ou é o livro que ainda não foi lido/comprado pelo leitor/cliente? A resposta a esta pergunta simples, muito provavelmente, revelará as características principais do acervo de uma livraria e o seu posicionamento no mercado.



Certa vez, durante uma palestra numa livraria, quando falava dos clássicos gregos - tragédias e comédias - publicados pela Zahar, ao mostrar o livro A Trilogia Tebana escrito por Sófocles, fui perguntado "...e esse livro vende?". Respondi, com toda sinceridade, que sim, que vende há 2.400 anos.





A Zahar, que lança entre 60 e 70 novos títulos/ano tem, como uma de suas características principais, a preocupação em publicar livros que possam interessar aos leitores de hoje e aos que estão por vir. Livros que possam continuar a ser vendidos 20 ou mais anos após seu lançamento. Um exemplo? No site da editora, na lista de mais vendidos, um dos títulos que todo mês está entre os 10+ é Cultura um conceito antropológico. Ano de lançamento: 1986



É claro que existem no mercado inúmeras outras editoras que também têm essa preocupação em ter um catálogo que resista ao tempo. Sendo assim, a cada ano que passa, mais e mais títulos estão "vivos" nos catálogos das editoras para serem oferecidos aos leitores. A ordem de grandeza é algo em torno de 40 mil novos títulos/ano. Mas existe espaço físico disponível nas livrarias para todos eles? Se não, como deve ser feita a seleção? Quais critérios? Por favor, aguardem um próximo post.


P.S. Já ouviram falar em cauda longa?

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Dia Nacional da Consciência Negra, 20/11, e os livros

As chamadas efemérides ou datas comemorativas podem ser um bom gancho para uma exposição diferenciada nas livrarias. No caso do Dia Nacional da Consciência Negra existem muitos títulos relacionados com o tema que, normalmente, ficam nas estantes, de lombada, e que podem, nesta ação, ser apresentados aos clientes gerando, assim, uma venda diferenciada.

O ano de 1971 foi declarado pela ONU como Ano Internacional para Ações de Combate ao Racismo e à Discriminação Racial. No Brasil, diversos grupos ligados ao Movimento Negro começaram a utilizar a data de 20 de Novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares, como data simbólica para a discussão de inúmeros problemas relacionados ao dia-a-dia das pessoas afro-descendentes. É claro que todas as outras pessoas que constituem a sociedade brasileira não estão à margem destas questões.

Em 9 de Janeiro de 2003, a Lei federal n. 10.639, determinou que "nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre história e cultura afro-brasileira." Também determinou que "o calendário escolar incluirá o dia 20 de Novembro como 'Dia Nacional da Consciência Negra'." Atualmente esta data é feriado municipal em 262 cidades no Brasil, entre elas, Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas.
Publicados pela Jorge Zahar, indico os seguintes títulos relacionados ao tema: