domingo, 29 de agosto de 2010

Mercado Editorial Brasileiro em 2009

A Pesquisa "Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro" vem sendo realizada desde 1990, e é patrocinada pela CBL-Câmara Brasileira do Livro e pelo SNEL-Sindicato Nacional dos Editores de Livros. Desde 2007 tem sido executada pela FIPE-Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP. A divulgação dos dados relativos ao ano de 2009 foi feita dia 19/8, durante a realização da 21a Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Um dado da pesquisa que merece logo ser destacado é que o preço médio de venda do livro para mercado, que já vinha caindo desde 2004, manteve esse processo e ficou mais barato 3,52% em relação ao ano de 2008. O valor do preço médio é o valor líquido que entrou para o caixa das editoras: R$ 11,52 em 2008 e R$ 11,11 em 2009.

Pelas características da comercialização no mercado do livro, existe uma escala de descontos de 50% para os distribuidores e redes (estas são distribuidoras para as suas próprias lojas), e depois dos distribuidores para as livrarias com variação entre 30% e 40%. Assim, o preço de capa médio foi de R$ 22,22 e o preço médio de venda para o público ficou entre R$ 15,55 (desconto nos lançamentos, por exemplo) e R$ 22,22.


01-Faturamento
Com relação à venda, a divisão é feita entre Mercado e Governo (que são os programas de compras de livros dos três níveis de governo: federal, estadual e municipal).

O faturamento total (mercado+governo) foi:
em 2008, R$ 3.305.957.488,25 (três bilhões, trezentos e cinco milhões...).
em 2009, R$ 3.376.240.854,19 (três bilhões, trezentos e setenta e seis milhões...).
Portanto, foram R$ 70.283.365,94 (70 milhões) a mais em 2009, o que equivale a uma variação de +2,13% em termos nominais. Ao aplicar-se o índice de deflação de 6,13% do IPCA educação, papelaria e leitura, que é calculado pelo IBGE, o valor em termos reais seria negativo em 3,77%.

Por segmento, o faturamento em 2009 foi o seguinte:
mercado: R$ 2.541.526.526,47 ou 75,28% do faturamento total
governo: R$ 834.714.337,72 ou 24,72% do faturamento total

É claro que são números grandes. Mas, o que esses números representam dentro da economia brasileira? O tamanho da economia de um país é calculado pelo PIB-Produto Interno Bruto, que vem a ser o principal indicador da atividade econômica. O PIB exprime o valor da produção realizada dentro das fronteiras geográficas de um país, num determinado período, independentemente da nacionalidade das unidades produtoras. Em outras palavras, o PIB sintetiza o resultado final da atividade produtiva, expressando monetariamente a produção, sem duplicações, de todos os produtores residentes nos limites da nação avaliada. A soma dos valores é feita com base nos preços finais de mercado. A produção da economia informal não é computada no cálculo do PIB nacional.
A fórmula para se chegar ao valor do Produto Interno Bruto é:
PIB = C + I + G + NX onde,
C = Consumo
I = Investimento
G = Despesa do Governo
NX = Exportações Líquidas
Consumo: refere-se a todos os bens e serviços comprados pela população. Divide-se em três subcategorias: bens não-duráveis, bens duráveis e serviços;
Investimento: consiste nos bens adquiridos para uso futuro. Essa categoria divide-se em duas subcategorias: investimento fixo das empresas (formação bruta de capital fixo) e variação de estoques;
Despesa do Governo: inclui os bens ou serviços adquiridos pelos governos Federal, Estadual ou Municipal;
Exportações Líquidas: trata-se da diferença entre exportações e importações.

O IBGE divulgou que o PIB do Brasil em 2009 foi de R$ 3,143 trilhões: R$ 3.143.000.000.000,00
Com estes números, o mercado do livro no Brasil representa 0,11% do PIB, que é o mesmo valor percentual apurado em 2008.


02-Exemplares comercializados
Outra maneira de olhar os dados é pela quantidade total (mercado+governo) de exemplares vendidos no ano:
em 2008 foram 333.264.519 exs
em 2009 foram 370.938.509 exs
Tem-se uma variação de +11,30% no aumento de exemplares vendidos. Na segmentação, foram vendidos para:
mercado, 228.704.28 ou 61,65% do total
governo, 142.234.221 ou 38,35% do total

O IBGE estimou que em 2009 havia no Brasil 191,5 milhões de habitantes. Dividindo-se os exemplares pela população, cada habitante teria ficado com quase 2 livros (1,94). Se fizermos a conta somente com os exemplares vendidos para mercado, cada habitante teria comprado em todo o ano o incrível número de 1,19 (um vírgula dezenove) livro.


03-Segmentos do mercado do livro
Como o mercado editorial é bem diverso, a pesquisa divide-o em quatro grandes grupos para melhor conhecê-lo:
1-Didáticos
2-Obras Gerais
3-Religiosos
4-CTP-Científicos, Técnicos, Profissionais

A representatividade de cada grupo em faturamento e em exemplares, somente para mercado, é a seguinte:
Didáticos
40,56% do faturamento e 36,87% dos exemplares

Obras Gerais
26,91% do faturamento e 27,45% dos exemplares

Religiosos
12,58% do faturamento e 23,20% dos exemplares

CTP-Científicos, Técnicos e Profissionais
19,95% do faturamento e 12,48% dos exemplares


04-Novos títulos
Com relação a títulos novos no mercado, em 2009 foram lançados em 1ª edição 22.027 títulos, o que é um aumento de 14,88% em relação ao ano de 2008.

Destes 22.027 novos títulos, 5.807 foram títulos traduzidos, o que representa 26,36% dos títulos. Logo, 73,64% dos títulos lançados foram originais nacionais.

O ano, em termos nacionais, tem 249 dias úteis [365 - 104 (sáb + dom) - 12 (feriados nac.)]. Portanto, teve-se uma média de 88 novos títulos por dia no mercado.

O crescimento expressivo no número de lançamentos tem como consequência o aumento da oferta de títulos e também de novos autores. É a busca das editoras para encontrar o best-seller e/ou o long-seller, garantindo também a bibliodiverdidade no mercado.


05-Canais de comercialização para mercado
A participação percentual de cada um deles é a seguinte:
40,18% livrarias físicas, incluso o braço web
23,78% distribuidores
16,64% porta-a-porta
2,91% supermercado
2,32% igrejas e templos
2,26% "livrarias" somente virtuais
1,68% escolas e colégios
1,41% editoras via web
0,85% empresas
0,75% feiras do livro
0,51% bancas de jornal
0,25% marketing direto
0,10% venda conjunta com jornais
0,04% bibliotecas privadas
6,32% outros

A destacar aqui a aumento mais uma vez da venda porta-a-porta que era 13,66% em 2008 e passou para 16,64% em 2009.

Destaque também para a venda pela web, pelo menos do que pode ser mensurado, que já representa 3,67% (2,26+1,41), sendo o quarto canal em vendas. Sabe-se que a venda pela web nas redes de livrarias físicas é muito significativa, girando entre 15% e 20% das suas vendas totais. Portanto, as livrarias que ainda não vendem pela web estão, a cada ano, aumentando o seu risco de serem excluídas do mercado. E, com a chegada do livro digital, do e-book, a situação só vai se agravar.

Mais uns dados como sinal de alerta às livrarias. Houve queda na participação do canal livrarias de 45,64% em 2008 para 42,44% em 2009. Queda também no canal distribuidores, de 25,32% em 2008 para 23,78% em 2009.

3 comentários:

Carlos Ferreira disse...

Essa pesquisa realmente sempre foi uma fonte de balizamento para o entidimento e tomada de decisões de várias empresas do setor. Ocorre que a forma de classificação dos segmentos já há alguns anos se encontra ultrapassada, sendo generalista demais. Além do fato de os didáticos merecerem um trabalho em separado. Fica aí a dica...

Renato disse...

É possível ter acesso a esta pesquisa completa? Abs, Renato Barros dos Santos

Jaime Mendes disse...

Olá Renato,

achei um local onde a pesquisa pode ser visualizada.

http://www.abdl.com.br/UserFiles/FIPE2009.ppt#1