quinta-feira, 22 de julho de 2010

Saiu na mídia #1 Como estarão as livrarias em cinco anos?

Caros leitores, como tem saído muita matéria sobre o negócio do livro e, como nem sempre é possível ter acesso a elas, vou passar a transcrever na íntegra esse material para que possa vir a ser lido, acompanhado e discutido pelos interessados. Esses "posts", que NÃO são de minha autoria, terão o título iniciado com "Saiu na mídia #(contador) e o título original da matéria". No início do texto do post virá o nome do autor e onde foi publicado, além do link para a mídia original.

Artigo de Mike Shatzkin

Publicado no PublishNews de 21/07/2010


Como estarão as livrarias em cinco anos?
O futuro das livrarias é uma questão existencial para os editores de livros de hoje (sem mencionar os livreiros!).

Upton Sinclair disse certa vez que “é difícil para um homem entender uma coisa quando o seu salário depende dele não entender essa coisa.” Continuo apresentando fatos sobre as realidades comerciais do mundo editorial que eu acredito que a maioria das pessoas espertas que administram seus negócios aceita, juntamente com as previsões de futuro que eu penso que a maioria das pessoas espertas que administram seus negócios aceita e apresentando uma visão de onde estaremos num futuro próximo que eu acho que muito poucas pessoas aceitarão.

Definitivamente nós passamos pelo que Michael Cader chamou de “o auge das livrarias” nos Estados Unidos. Espaço na prateleira para livros está provavelmente caindo mais rápido que o número de lojas enquanto os vendedores de livros procuram por produtos que deixem seus clientes ainda mais satisfeitos e deixam esses produtos no espaço anteriormente dedicados aos livros. E o espaço em prateleira para editoras que não possuem livrarias próprias está caindo ainda mais rápido porque a Barnes & Noble, a líder em oferecer espaço em suas prateleiras, está apostando agressivamente em seus próprios produtos tanto para melhorar sua margem de lucro como para oferecer produtos que os competidores não ofereçam.

O futuro das livrarias é uma questão existencial para os editores de livros de hoje (sem mencionar os livreiros!). Apesar de não ser sempre dito com todas as letras, a principal questão para a indústria editorial é que elas consigam colocar livros nas prateleiras. Todo o resto que elas fazem (e frequentemente o fazem muito bem) – selecionar, editar, desenvolver, empacotar, e promover – é um argumento fraco. E normalmente não se pode medir. Uma grande editora e um agente adicionariam a essa lista a função “financeira”: pagar adiantado para o autor escrever o livro. Mas eu diria que isso também é um argumento fraco (tem um monte de dinheiro lá fora esperando por oportunidades de investimentos) então a oportunidade da editora ser inclusive o banqueiro também depende da habilidade da editora de colocar livros nas prateleiras das livrarias.

Então, sabendo disso ou não (e, nos níveis mais altos das maiores editoras, eles com certeza sabem) a vantagem competitiva da indústria editorial é totalmente dependente da sobrevivência do espaço na livraria física, de tijolos, o que é muito diferente da venda total de livros e mesmo da venda total de livros impressos. Você não precisa de uma organização com o tamanho ou a capacidade das maiores editoras para alcançar clientes por canais online. E, de fato, porque as maiores editoras são horizontais no que diz respeito aos seus negócios, o tamanho delas é mais uma desvantagem do que vantagem para competir no mercado online.

Nós consumimos uma grande quantidade de produtos de uma indústria considerando que o Nook e o Kindle sobreviverão ao iPad e outros tablets. Eu diria que isso não nos interessa de verdade. O mais importante é que mais e mais pessoas estão lendo em telas, do que pessoas que diminuíram as compras de livros em papel (um fato recentemente documentado no estudo sobre consumo de ebook da BISG-Bowker), e o fato de que as compras de livros digitais são feitas online com pouco espaço para participantes reais (apesar de um maravilhoso vídeo francês de quatro anos atrás e uma explosão de otimismo ingênuo de um executivo da ABA em uma mesa de debates da BEA).

(Parágrafo da divagação: uma visão muito mais realista do que eBooks e compras online significam para livrarias independentes hoje em dia é uma visão pessimista de um blog de um dos líderes nacionais das independentes, Northshire Bookstore de Manchester, Vermont. Nós sabemos que o Google alimenta as esperanças de que eles podem oferecer uma inclusão significativa para as independentes no mercado de eBook. Mas mesmo que os esforços do Google surtam efeito, eles não apóiam a loja independente, eles apóiam o dono da loja. Há uma diferença.)

Então a corrida entre os eReaders dedicados, baseados em e-ink e os tablets de múltiplas funções acelera o movimento de consumo do livro impresso para o digital; e o movimento de consumo de livro impresso para livros digitais acelera a mudança da compra em loja para a compra online; e a mudança para compra de livros online, sejam impressos ou digitais, acelera a redução de espaço nas prateleiras das livrarias reais.

E a redução do espaço das lojas reais desafia cada vez mais a principal questão de todas as maiores editoras de livros. Em junho, um painel com CEOs de editoras sugeriu um consenso de que entre 40% e 50% do total da venda de livros em cinco anos será eBooks. Alguns dias atrás, outra executiva de uma editora líder de mercado, Gina Centrello da Random House, fez a mesma previsão. Eu acho, se é que acho alguma coisa, que essas previsões são conservadoras, mas se nós as aceitarmos como estão, as implicações são profundas.

Metade das vendas sendo digital significa que metade das transações já será online. Isso chama a próxima pergunta, que é: “Quanto da outra metade será online e quanto será na loja física?” A resposta para essa questão depende de duas variáveis: as preferências de compra dos consumidores e a capacidade das lojas em se manter abertas mesmo com queda nas vendas. As duas variáveis estão conectadas: quanto mais longe de você está uma livraria decente, mais perto você está de comprar online. E quanto mais você compra online, maior a probabilidade de que a loja mais perto irá fechar.

É uma estimativa conservadora a de que 20% das vendas de livros impressos são realizadas online e que os eBooks correspondem entre 5 a 8% do total das vendas. Isso significa que o consenso estima que a fatia de mercado de eBook vai crescer entre 5 e 10 vezes nos próximos cinco anos. Isso não é irracional porque a venda de eBooks mais que dobrou anualmente nos últimos anos e essas 10 vezes seria apenas algo em torno de duas e meia a três “dobras” em cinco anos. (Centrello disse que eles aumentaram de 3% para 10% no ano passado e, sem saber precisamente que período é compreendido por “ano passado”, nós certamente esperamos mais do que o efeito iPad para o “próximo ano”.)

Esse tipo de crescimento em vendas de eBooks sugere um público leitor cada vez mais digitalmente confortável. O que faz deles mais prováveis compradores online também. Então isso é uma estimativa conservadora de vendas online de livros impressos para daqui cinco anos. Não dá pra aumentar de 5 a 10 vezes e ainda sobrar alguma venda em lojas físicas. Então vamos dizer (e eu diria bem conservadoramente), que as vendas de impressos em 2015 serão metade online e que o espaço na prateleira sobreviverá o bastante para que metade das vendas seja em lojas reais. (Eu tenho que dizer enquanto escrevo isso que eu mesmo tenho problemas em acreditar nisso, mas a maioria das pessoas teria ainda mais problemas em acreditar em mim, se eu dissesse o que me desse na telha.)
Essa conta deixa a venda de impressos através das lojas em 25% do total das vendas de livros. Hoje, se a venda de impressos de uma loja está em 80% nós presumimos os impressos sejam 90% do total de vendas de livros (usando os 10% da Centrello como base para uma tentativa mais conservadora para este cálculo específico), então estamos falando em uma queda de 72% das vendas em lojas físicas hoje para 25% em cinco anos! Isso significa uma perda de aproximadamente dois terços das vendas atuais! E isso vale para todas as lojas: cadeias de livrarias, livrarias independentes e grandes varejistas.

Eu não estou ouvindo nada nas declarações de editoras ou executivos de livrarias que sugiram que alguém esteja se preparando para mudanças tão drásticas. E não vejo nada nas tendências que sugerem que nós podemos evitá-las.

Fale a verdade. Se eu tivesse entitulado esse texto, “Executivos da indústria prevêem queda de livros em lojas físicas em 65% em cinco anos”, você não começaria a ler achando que eu estivesse louco, certo?

Escrevi um post três meses atrás chamado Why are you for killing bookstores? que foi um assunto similar, focando nas relações de ontem e de hoje entre o crescimento dos eBooks e a sobrevivência das livrarias (Quando um cresce, o outro cai). Foi um dos posts mais comentados nos 17 meses em que escrevo este blog. Eu acho que isso é o resultado do que pode ser a consequência natural da máxima de Sinclair que é mais ou menos assim: “É muito difícil fazer alguém entender algo quando entender isso ressalta o conflito entre duas ideias que o atraem.”

Um comentário:

Cult disse...

Eu Discordo com "O futuro das livrarias é uma questão existencial para os editores de livros de hoje". Sem Dúvida que hoje em dia as livrarias tem de se adaptar a um novo formato/conceito de loja para atender as necessidades dos clientes. Agora em relação as editoras, caso as vendam caem nas livrarias devido a mortalidade do segmento, as mesmas devem procurar meios alternativos de venda, como por exemplo; Vendas em Supermercados e Lojas de Convêniencia.

Nós somos um grande exemplo, Nossa empresa surgiu em 2008 como livraria em uma faculdade, devido a grande sazonalidade começamos a desenvolver parcerias com as maiores redes de supermercados do Espirito santo no intuito de comercializar os best-sellers em suas filiais, em 6 meses o Resultado foi tão positivo que encerramos a operação de verejo para foca somente na distribuição.

SuperLivros Distribuidora.

"Distribuição especializada para Supermercados."

Atenciosamente, Guilherme Coutinho.