domingo, 30 de agosto de 2009

Romance Policial 1: Enigma

O ano de 2009 agrega algumas datas comemorativas relacionadas ao romance policial, ao romance noir. São os 200 anos do nascimento de Edgar Allan Poe (19.01.1809) e os 160 anos de sua morte (07.10.1849). São os 150 anos do nascimento de Arthur Conan Doyle (22.05.1859) e os 50 anos da morte de Raymond Chandler (26.03.1959). Também são os 20 anos da morte de Georges Simenon (04.09.1989). E, estes, são somente alguns dos autores ligados ao romance policial/noir que têm suas datas de nascimento e/ou morte num ano terminado no algarismo 9. Mera coincidência ou algum mistério a ser desvendado? Neste caso, qual o detetive mais indicado para resolvê-lo?


Edgar Allan Poe é considerado o criador do romance policial. Seu conto "Os Crimes da Rua Morgue", publicado em abril de 1841 na Graham´s Magazine, é a primeira narrativa do gênero que, até hoje, atrai uma legião de leitores. É neste conto que aparece a figura do detetive que será a base para outros detetives do gênero policial enigma, como os que virão a ser criados por Conan Doyle, Agatha Christie e George Simenon dentre outros.

As aventuras criadas por Allan Poe são ambientadas na Paris do séc XIX e seu detetive, Monsieur C. Auguste Dupin, tem as seguintes características, no resumo de Sandra Reimão: "é uma máquina de pensar, que, a partir de vestígios, pistas, indícios, consegue, através de uma dedução lógica rigorosa, reconstruir uma história, um fato passado, e assim descobrir o(s) culpado(s)."

Outras características criadas por Allan Poe para o gênero policial são:
. detetive desvenda os casos, mas não os escreve;
. mora com um amigo que é o responsável pelo registro dos casos, isto é, é o narrador;
. existe um chefe de polícia que procura o detetive para ajudar a desvendar os casos inexplicáveis;
. na revelação final o detetive reconstrói a história para esclarecer como chegou à solução do caso.

Mas, Edgar Allan Poe não levou adiante seu detetive que aparece somente em duas outras histórias: "O Mistério de Marie Rogêt" em 1842 e "A Carta Roubada" em 1845. Entretanto, a base do romance policial do tipo enigma estava criada. Para o sucesso do gênero, muito contribuiu a opção pelo narrador-memorialista. Através dele o leitor é guiado e vai seguindo os passos, - mas sempre atrás -, do detetive. Portanto, fica o desafio de tentar desvendar o mistério antes do próprio detetive. Porém, nem todos os detalhes do processo de análise dos fatos, dos indícios, das pistas são revelados pelo narrador-memorialista, que também não os conhece pois, o detetive, em determinada altura da história não "fala" com ele e/ou some, desaparece por algum tempo. Assim, a resolução do mistério é encaminhada para um gran finale, onde o detetive, através de seu parceiro narrador, fará o relato de todo seu processo de investigação e análise, culminando na revelação final.

Esta, portanto, foi a primeira dupla de detetive e narrador-memorialista: C. Auguste Dupin e seu anônimo amigo. Duas outras duplas completam o que é considerado o "trio de ouro" do romance policial de tipo enigma: Sherlock Holmes e Dr. Watson, criados por Arthur Conan Doyle, e Hercule Poirot e Capitão Hastings, criados por Agatha Christie.


O escocês Arthur Conan Doyle escreve em sua autobiografia "Memórias e Aventuras", publicada em 1924 que "... o magistral detetive de Poe, M. Dupin, havia sido um de meus heróis desde a infância." Portanto, a base para o detetive Sherlock Holmes, criado por Conan Doyle, remonta a Edgar Allan Poe. Conan Doyle tem o mérito de desenvolver seu detetive, de dar-lhe determinadas características e personalidade. Holmes é misógino, morfinômano, cocainômano, sofre de melancolia, joga xadrez, adora tocar violino e fumar cachimbo, além de ser um expert na arte do disfarce, da transformação/caracterização em outra pessoa. Atrevo-me a dizer que o gênero romance policial teve seu desenvolvimento, sua continuação a partir de Conan Doyle, sendo Poe o criador.

A personagem Sherlock Holmes aparece pela primeira vez no romance "Um Estudo em Vermelho" publicado em 1887. Holmes aparecerá em mais três romances: "O Signo dos Quatro" em 1890, "O Cão dos Baskerville" em 1902 e "O Vale do Medo" em 1915. Além disso Holmes resolverá casos em outros 56 contos publicados entre 1891 e 1927.





Em 1920 a dupla criada por Agatha Christie, Poirot e Hastings, aparece pela primeira vez em "O Misterioso Caso de Styles". Não sei se notaram, mas são exatos 79 anos depois da criação de Dupin; mas uma vez aparece o algarismo 9.


Outro importante detetive foi criado por Georges Simenon: o Comissário Maigret. Sua primeira aparição foi escrita sob o pseudônimo de Christian Brulls, e acontece em setembro (mês 9) de 1929. Alguém ainda acha que é mero acaso todas estas datas terminadas com o algarismo 9?



Continua...



Fontes de pesquisa:

Christie, Agatha. O Misterioso Caso de Styles. BestBolso, 2009.

Doyle, Arthur Conan. Sherlock Holmes, edição definitiva, vol 1. Jorge Zahar, 2006.

Poe, Edgar Allan. Histórias de Crime e Mistério. Ática, 2001.

____________. Histórias Extraordinárias. Companhia de Bolso, 2008.

Reimão, Sandra. Literatura Policial Brasileira. Jorge Zahar, 2005.

http://www.livrariadocrime.com.br/?secao=entrevistas&cd_entrevista=13

http://www.poebrasil.com.br/

http://acbr.luky.com.br/index.php

http://www.lpm-editores.com.br/

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Crise? Na Web, Não

A e-bit divulgou a 20a edição da pesquisa Webshoppers. Pelos dados apresentados, a crise, no primeiro semestre de 2009, passou longe da web, do e-commerce. A pesquisa é feita em mais de 1.800 lojas virtuais e os dados são coletados junto aos compradores online, imediatamente após a compra na web.

O faturamento nestes seis meses inicais de 2009 foi de R$4,8 bilhões, o que equivale a um crescimento de 27% em relação ao mesmo período de 2008, que teve o faturamento de R$3,8 bilhões. Isso comprova que, a cada dia, aumenta a quantidade de pessoas que também compram pela web. No espaço de um ano 3,7 milhões de pessoas, de novos e-consumidores, realizaram pelo menos uma compra na web. Na metade de 2008 eram 11,5 milhões de e-consumidores e na metade de 2009 o número está em 15,2 milhões.

Segundo a pesquisa 86% dos consumidores brasileiros estão satisfeitos com o comércio virtual. "Esse alto índice de confiança é fruto da credibilidade oferecida pelo e-commerce, que apresenta diversas condições de pagamento para seu consumidor, que pode parcelar sua compra em até 12x sem juros, além da isenção do frete (...). Outra facilidade já conhecida no setor é a possibilidade de não ter que sair de casa e enfrentar os problemas característicos das grandes cidades."

Com relação aos produtos mais vendidos a categoria livros e assinaturas de revistas e jornais continua em primeiro lugar; depois vêm saúde, beleza e medicamentos em segundo lugar; informática está em terceiro.

Mas, o dado mais importante da pesquisa, no meu modo de lê-la, diz respeito a uma tendência, já comentada aqui no blog em 29.03.2009, que é a descentralização do e-commerce. A cada diz mais e mais lojas são criadas na web, desde grandes varejistas como Wal-Mart e Ponto Frio, até pequenas empresas que vislumbraram a oportunidade que a web oferece. O que antes era uma barreira, devido ao custo, para a entrada de pequenas empresas, isto é, a necessidade de contratar profissionais e/ou empresas para desenvolver uma loja virtual, além da permanente manutenção e atualização, essa barreira não existe mais. Hoje, por apenas R$ 49,90 por mês, várias empresas já disponibilizam uma loja básica montada. É só pesquisar na própria web. Uma outra dificuldade dizia respeito ao recebimento dos pagamentos, que envolviam segurança com os dados dos cartões dos e-consumidores e o medo por parte dos lojistas desses mesmos cartões serem falsos ou roubados. Também não existe mais. Várias empresas já oferecem a terceirização de todo processo de pagamento/recebimento e com segurança. Mais uma vez, é só pesquisar na própria web. Com essas facilidades aumentou o número de lojas virtuais, aumentou a concorrência e ganham os consumidores e os fornecedores que passam a ter mais opções para comprar e vender.

Os números da descentralização são os seguintes:
. O top1, a B2W que reúne Submarino + Americanas + Shoptime + Blockbuster, continua sendo a primeira em vendas. Entretanto teve diminuida sua participação no mercado. No primeiro semestre de 2008 representava 41,50% e, no primeiro semestre de 2009, teve participação de 36%. É uma diminuição de 5,50%.
. Os top10 detinham 76,30% do mercado e agora têm 74,10%. Perderam, portanto, 2,30%.
. Os top20 passaram de 85,60% para 83,80%. Diferença de 1,80%.
. Os top50 já tiveram 91,90% e agora têm 90,30%. Perderam 1,60%.

Como o mercado de e-commerce continua crescendo, as perdas acima foram para onde? A resposta está nos números das empresas abaixo da posição 50 do ranking, a long tail, a cauda longa. Sua participação no primeiro semestre de 2008 era de 8,10% do mercado e, neste semestre inicial de 2009, pulou para 9,70%. São mais 1,60% e a tendência é a continuação dessa descentralização, o que é muito bom.

Portanto, e mais uma vez, sua livraria já está na web ou vai continuar de fora deste mercado?