domingo, 29 de março de 2009

Descentralização do e-commerce

No comércio realizado através das lojas físicas, a cada dia, percebe-se o aumento da concentração em lojas de rede e nos shoppings. No ano 2000 existiam no Brasil 280 shoppings; 2008 fechou com 377 shoppings em atividade. Em número de shoppings o crescimento foi de 34,64%. Porém, quando se olha os dados relativos a número de lojas e faturamento, os percentuais são bem mais elevados. O número de lojas cresceu 90,96% (de 34.300 para 65.500 lojas); o faturamento cresceu mais ainda: 147,51% (de 26,1 bilhões para 64,6 bilhões de reais). Para 2009 está prevista a abertura de mais 23 shoppings e outros 19 em 2010.

Na contramão desta tendência de concentração, dados divulgados pela e-bit, indicam uma descentralização no e-commerce no que diz respeito ao número de pedidos feitos nas lojas virtuais. Na comparação entre os últimos trimestres de 2007 e 2008 existe queda no número de pedidos para as 50 maiores lojas de e-commerce, sendo a maior queda na principal, a B2W (que reúne o Submarino, a Americanas, a Shoptime e a Blockbuster). A variação chegou a -11,80%.

Portanto, isso prova que a web possibilita que pequenas lojas também podem ter resultados positivos no e-commerce, pequenos e médios varejistas obtiveram crescimento no número de pedidos, com a variação chegando a +6,0%. O quadro abaixo, copiado da B2B Magazine, resume os importantes números.

segunda-feira, 23 de março de 2009

e-commerce, balanço de 2008

Dia 17 de Março foi divulgada a 19a edição do relatório WebShoppers que "analisa a evolução do comércio eletrônico, as mudanças de comportamento e preferências dos e-consumidores."

No ano de 2008, segundo dados do Ibope Nielsen, 62,3 milhões de pessoas acessaram a web, de casa, do trabalho ou de lan houses.

Os principais dados do WebShoppers relativos a 2008 são os seguintes:
30% de crescimento no faturamento em relação a 2007;
R$ 8,2 bilhões de faturamento;
tíquete médio de R$ 328,00;




Em volume de pedidos as categorias mais vendidas são:
17% livros
12% saúde e beleza (inclui cuidados pessoais, perfumes, cosméticos e medicamentos)
11% informática
9% eletrônicos (inclui câmeras digitais)
6% eletrodomésticos

O Brasil já tem 13,2 milhões de pessoas que compraram pelo menos uma vez via web; em 2008, 51% foram do sexo feminino. De todas as pessoas que consumiram via web, 19% delas têm mais de 50 anos de idade.

As principais datas para compras, as já tradicionais, Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia dos Pais, Dia das Crianças e Natal, tiveram crescimento nominal em relação a 2007. Interessante notar que o livro, que é o principal produto vendido na web, em nenhuma das datas acima foi o principal. Eletrodomésticos foi o principal no Dia das Mães; saúde, beleza e medicamentos no Dia dos Namorados; eletrônicos (inclui câmera digital) no Dia dos Pais; brinquedos no Dia das Crianças; informática no Natal.

A expectativa para 2009 é de continuidade no crescimento e, segundo o relatório, estima-se que o número de e-consumidores chegue a 17,2 milhões no fim do ano. A classe C, que já é a maior, com 42% dos e-consumidores deve aumentar mais ainda sua participação.

Sua livraria já está na web?

quarta-feira, 18 de março de 2009

Indicações # 2: O Culto do Amador

Desde ontem, 17 de março, está disponível nas livrarias um importante e polêmico livro: O Culto do Amador: como blogs, MySpace, YouTube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores. O autor, Andrew Keen, foi um empreendedor pioneiro do Vale do Silício com o site de música Audiocafe.com. Este livro já foi publicado em 12 línguas diferentes e, creio, é fundamental para que possamos parar e debater sobre as consequências da web 2.0, as boas e as ruins. Andrew Keen já foi chamado de “uma prostituta mental do establishment” e de “Anticristo do Vale do Silício” por uns mas também é elogiado por outros; sinal de que o assunto web 2.0 tem muito pra ser discutido, pensado e repensado. (fonte site da Zahar)

“Maravilhoso e provocador . . . Eu acredito que esse é um poderoso livro que faz você parar e pensar no meio da obsessão e da quantidade de pessoas que buscam conforto na web2. Muito bem escrito também.” — Chris Schroeder, diretor-executivo WashingtonPost/Newsweek online e diretor-executivo Health Central Network.

"Embora eu não concorde com tudo que é dito por Keen, são páginas e páginas de insights e pesquisas muito interessantes. Aguardo o debate extremamente necessário sobre os problemas expostos - que precisam ser considerados." - Larry Sanger, co-fundador da Wikipédia, da qual já saiu, e fundador da Citizendium.

Andrew Keen escreve sobre mídia, cultura e tecnologia e seus textos são publicados nos periódicos Los Angeles Times, Wall Street Journal, Guardian, Independent, Forbes, Weekly Standard, Prospect e Fast Company, entre outros. Tem blog e site, o AfterTV e, na página 172 do livro escreve a seu respeito o seguinte: "Não sou nem antitecnologia nem antiprogresso. A tecnologia digital é algo de maravilhoso, que nos dá meios para nos conectarmos globalmente e partilharmos conhecimento de maneiras sem precedentes. Este livro certamente não poderia ter sido escrito sem o e-mail ou a internet, e sou a última pessoa a romantizar um passado em que escrevíamos cartas à luz de velas e elas eram entregues pelo Poney Express. A tecnologia digital tornou-se uma parte inescapável da vida no século XXI."

Como já li o livro (e do qual gostei muito), vou separar umas passagens que julgo importantes com o objetivo de despertar o interesse na leitura e posterior discussão dos temas propostos por Keen.

pág 24 "Hoje há potencialmente um Grande Irmão até mais ameaçador escondido nas sombras: o mecanismo de busca."

pág 25 "Mecanismos de busca como o Google sabem mais sobre nossos hábitos, interesses e desejos do que nossos amigos, nossos entes queridos e nosso psiquiatra juntos."

pág 27 "(...) Lawrence Lessing, fundador do Creative Commons, e William Gibson, o autor ciberpunk, enaltecem a apropriação da propriedade intelectual."

pág 28 " Kevin Kelly (...) tece rapsódias sobre a morte do texto independente tradicional - o que séculos de civilização conheceram como livro."

pág 45 "Ao solapar o especialista, a onipresença do conteúdo gerado pelo usuário e gratuito ameaça o próprio cerne de nossas instituições profissionais. A Wikipédia de Jimmy Wales, com seus milhões de editores amadores e conteúdo não confiável, é o 17 site mais acessado da internet; Britannica.com, com seus 100 ganhadores do Prêmio Nobel e 4 mil colaboradores especialistas, está em 5.128 lugar."

pág 47 "Com uma quantidade cada vez maior da informação online não editada, não verificada e não comprovada, não teremos outra escolha senão ler tudo com ceticismo. (...) A informação gratuita de fato não é gratuita; todos nós acabamos pagando por ela de uma maneira ou de outra com o mais valioso de todos os recursos - nosso tempo.
A Wikipédia está longe de estar sozinha em sua celebração do amadorismo. Os `jornalistas-cidadãos` também - os analistas, repórteres, comentadores e críticos amadores na blogosfera - empinham a bandeira do nobre amador na web 2.0."

pág 56 "Jürgen Habermas falou sobre a ameaça que a web 2.0 representa para a vida intelectual no Ocidente: ´o preço que pagamos pelo crescimento do igualitarismo oferecido pela internet é o acesso descentralizado a artigos não editados. Nesse meio, as contribuições de intelectuais perdem seu poder de criar um foco.´"

pág 57 "Kevin Kelly, mais um utópico do Vale do Silício, quer a completa extinção do livro - bem como dos direitos de propriedade intelectual de escritores e editores."

pág 60 "O que a web 2.0 nos dá é uma cultura infinitamente fragmentada em que ficamos irremediavelmente desorientados, sem saber como concentrar nossa atenção e despender nosso tempo limitado. E essa cultura do amador vai muito além de livros e música."

pág 63 "Para se tornar um médico, um advogado, um músico, um jornalista ou um engenheiro é preciso fazer um investimento significativo da própria vida em educação e treinamento, inúmeras audições ou exames de ingresso e certificação, além de assumir o compromisso com uma carreira de trabalho árduo e cargas horárias pesadas. (..) Pode o culto à figura do nobre amador realmente esperar contornar tudo isso e fazer um trabalho melhor?"

pág 64 "No fluxo infindável de conteúdo não filtrado, gerado pelo usuário do mundo digital, as coisas de fato muitas vezes não são o que parecem. Sem editores, verificadores de fatos, administradores ou reguladores para monitorar o que está sendo postado, não temos ninguém para atestar a confiabilidade ou a credibilidade do conteúdo que lemos e vemos em sites..."

pág 67 "O problema é que a natureza viral não editada do YouTube permite a qualquer pessoa - de neonazistas a publicitários ou membros de staffs de campanha - postar anonimamente vídeos enganosos, fraudulentos, manipuladores ou fora de contexto."

pág 72 "Na mídia tradicional, leis contra a calúnia e a difamação protegem as pessoas desses tipos de assassinatos perversos da reputação. Mas, em parte por causa do anonimato e da informalidade da maioria das postagens na web, tem sido difícil aplicar essas leis ao mundo digital."

pág 73 "Os proprietários dos jornais tradicionais e de redes noticiosas são considerados legalmente responsáveis pelas afirmações de seus repórteres, âncoras e colunistas, o que os estimula a preservar certo padrão de veracidade no conteúdo que veiculam em seus jornais ou em suas emissoras. Os proprietários de sites, por outro lado, não são responsáveis pelo que é postado por um terceiro. Alguns dizem que isso é uma proteção à livre manifestação do pensamento. Mas a que custo? Enquanto não forem considerados responsáveis, os proprietários de sites e blogs têm pouco estímulo ou incentivo para questionar ou avaliar a informação que publicam."

pág 74 "Antes da web 2.0, nossa história intelectual coletiva foi conduzida pela cuidadosa agregação de verdades - através de livros profissionalmente editados e materiais de referência, jornais, rádio e televisão. Mas quando toda a informação se torna digitalizada e democratizada, e é tornada universal e permanentemente disponível, a mídia de registro transforma-se numa internet em que a falsa informação nunca desaparece. Em consequência, nosso banco de informações coletadas fica infectado por erros e fraudes. Os blogs estão conectados através de um único link, ou séries de links, a inúmeros outros blogs, e as páginas de MySpace estão conectadas a inúmeras outras páginas de MySpace, que se conectam a inúmeros vídeos do YouTube, verbetes da Wikipédia e sites da web com diferentes origens e finalidades. É impossível deter a difusão da informação falsa, muito menos identificar sua fonte. Futuros leitores muitas vezes herdam e repetem essa informação falsa, agravando o problema e criando uma memória coletiva profundamente defeituosa."

pág 90 "No mundo da web 2.0, as massas tornaram-se a autoridade que determina o que é e o que não é verdadeiro. Mecanismos de busca como Google, (...), respondem a nossas indagações não com o que é mais verdadeiro ou mais confiável, mas simplesmente com o que é mais popular."

pág 91 "O problema, porém, é que a geração da web 2.0 está tomando os resultados dos mecanismos de busca como verdades inquestionávies."

pág 92 "Quando nossas intenções individuais ficam na dependência da sabedoria das massas, nosso acesso à informação é restringido e, em consequência, nossa visão do mundo e nossa percepção da verdade ficam perigosamente distorcidas."

pág 110 "Em qualquer profissão, quando não há incentivo ou recompensa monetária, o trabalho criativo estaca. Como Dickens, um dos pioneiros a pressionar ativamente o Congresso em prol da proteção aos direitos autorais, observou com pertinência, a literatura americana só poderia florescer se os editores americanos fossem obrigados por lei a pagar aos escritores o que lhe era devido; permitir aos editores publicar as obras de autores estrangeiros gratuitamente só desencorajaria a produção literária."

pág 112 "Mas as consequências econômicas da revolução da web 2.0 vão muito além de livros e música apenas. Graças a produtos pirateados, notícias gratuitas nos blogs, rádio gratuito fornecido pelos podcasters, e classificados gratuitos na Craigslist, nossa indústrias de mídia e fornecedores de contaúdo de todos os tipos - rádio, televisão, jornal, as empresas de cinema - estão em declínio."

pág 116 "(...) milhares de outras livrarias queridas por toda a parte nos Estados Unidos que foram forçadas a fechar as portas por causa da e-competição feita pela internet, com seus preços reduzidos. Segundo números levantados pelo New York Times, 2.500 livrarias independentes desapareceram desde 1990."

pág 117 "Mas será que o fechamento de lojas independentes resulta em mais escolha para os consumidores? Em vez de 2.500 livrarias independentes, com seus vendedores bem informados, amantes dos livros, seções especializadas e relações com escritores locais, temos agora uma oligarquia de megalojas online empregando algoritmos desalmados, que usam nossas compras anteriores e as compras de outros para nos dizer o que queremos comprar."

pág 127 "Caso os jornais e a televisão tradicionais falissem, onde os sites de notícias online obteriam seu conteúdo?"

pág 128 "Revelador é o fato de que, em contraste com companhias como a Time Warner ou a Disney, que criam e produzem filmes, música, revistas e televisão, o Google é um parasita; não cria nenhum conteúdo próprio. Sua única realização é ter descoberto um algoritmo que estabelece links entre conteúdo preexistente e outros conteúdos preexistentes na internet e cobrar dos anunciantes cada vez que um desses link é clicad0. Em termos de criação de valor, não há nada ali afora seus links."

pág 135 "A colagem, remixagem, combinação, empréstimo, cópia - o furto - da propriedade intelectual tornou-se a atividade isolada mais disseminada na internet. E está transformando e distorcendo nossos valores e nossa própria cultura."

pág 135-6 "O problema não se resume a filmes e músicas pirateados. Trata-se agora de uma incerteza mais ampla sobre quem possui o quê numa era em que qualquer pessoa, com o clique de um mouse, pode recortar e colar conteúdo e apropriar-se dele. A tecnologia da web 2.0 está confundindo o próprio conceito de propriedade, criando uma geração de plagiadores e ladrões de direitos autorais com pouco respeito pela propriedade intelectual. Além de músicas ou filmes, eles estão furtando artigos, fotografias, cartas, pesquisas, vídeos, jingles, personagens e praticamente qualquer outra coisa que possa ser digitalizada e copiada eletronicamente. Nossos filhos estão baixando e usando essa propriedade furtada para avançar por meio da trapaça na escola e na universidade, apresentando as palavras e a obra de outros como suas em trabalhos, projetos e teses."

pág 137 "Lawrence Lessing, professor de direito da Universidade de Stanford, afirma que o `compartilhamento legal` e a `reutilização` de propriedade intelectual é um benefício social. (...) O que ele não reconhece é que a maior parte do conteúdo que está sendo compartilhado (...) foi composto ou escrito por alguém com o suor de seu trabalho criativo e o uso disciplinado de seu talento."


pág 137-8 "O fato é que cooptar o trabalho criativo de outras pessoas - seja compartilhando arquivos, baixando filmes e vídeos ou apresentando o escrito de outros como seu - é não somente ilegal, na maioria dos casos, como imoral. No entanto, a aceitação generalizada desse comportamento ameaça solapar uma sociedade construída com trabalho árduo, inovação e a realização intelectual de nossos escritores, cientistas, artistas, compositores, músicos, jornalistas, críticos e cineastas."

pág 162 "Mais chocante que a quantidade de informação roubada na web, sob muitos aspectos, é a quantidade de informação privada permutada legalmente a cada dia. (...) No mundo da web 2.0, onde cororações e agências governamentais têm fácil acesso a cada uma dessas buscas, o direito à privacidade está se tornando uma noção antiquada."

pág 162-3 "O Google, o Yahoo! e a AOL, que não têm nenhuma responsabilidade legal de eliminar dados antigos, mantêm registros dos assuntos que pesquisamos, dos produtos que compramos e dos sites que visitamos. Esses mecanismos de busca querem nos conhecer intimamente, querem ser nossos confidentes mais chegados. Afinal, quanto mais informação possuem sobre nós - nossos hobbies, nossos gostos e nossos desejos - , mais informação podem vender aos anunciantes e negociantes, permitindo-lhe melhor personalizar seus produtos, anúncios e abordagens. Mas nossa informação não é distribuída apenas a anunciantes. Todo mundo, de hackers e ciberladrões a funcionários estaduais e federais, pode potencialmente descobrir qualquer coisa, do último ingresso de cinema que compramos aos remédios sob prescrição que tomamos, passando pelo saldo de nossa conta de poupança."

pág 163 "Mas como o Google e a AOL adquirem toda essa informação detalhada? Através dos inocentemente chamados `cookies` - pequeninos pacotes de dados implantados em nosso navegador da internet que estabelecem um número de identidade único de nosso disco rígido e permitem a sites da web reunir registros precisos de tudo que fazemos online. Esses pacotes de dados representam um pacto faustiano que fazemos com o demônio da internet. Cada vez que chegamos a uma página da web, um cookie é ativado, dizendo àquele site quem o está visitando. Os cookies transformam nossos hábitos em dados. Eles são minas de ouro para negociantes e anunciantes. Registram nossos sites preferidos, lembram as informações de nosso cartão de crédito, armazenam o que pomos nas nossas sacolas de compras eletrônicas e anotam em que anúncios de banner clicamos."

pág 164 "Essa compilação de informação pessoal não se limita apenas aos mecanismos de busca da internet. (...) a Amazon.com (...) não quer possuir apenas nossa experiência de compras online, quer ter o comprador online - transformando cada um de nós em mais um ponto num banco de dados infinito a serviço do e-comércio.
Sir Francis Bacon, o pai elisabetano da ciência indutiva, escreveu, de forma otimista, que `conhecimento é poder`. Mas em nossa era digital contemporânea é a informação, não o conhecimento, que proporciona poder."

pág 167 "(...) a revolução da web 2.0 está apagando as linhas entre público e privado."


Andrew Keen também apresenta algumas possíveis soluções. Então o que pode ser feito?

pág 173 "Nosso desafio é, antes, proteger o legado de nossa mídia convencional e 200 anos de proteção aos direitoa autorais dentro do contexto da tecnologia digital do século XXI. Nossa meta deveria ser preservar nossa cultura e nossos valores, ao mesmo tempo em que desfrutamos os benefícios das potencialidades da internet de hoje. Precisamos encontrar uma maneira de equilibrara o melhor do futuro digital sem destruir as instituições do passado."

pág 174 Larry Sanger "compreendeu que o problema da Wikipédia estava em sua implementação, não em sua tecnologia. Assm, desligou-se do projeto e reconsiderou como se poderia conciliar a voz e a autoridade de especialistas com o conteúdo gerado pelo usuário. E voltou com uma solução que combinava o melhor da velha e da nova mídia. Chamou-a de Citizendium." (compêndio de tudo dos cidadãos).

pág 175 "O que há de mais inovador no Citizendium é que ele reconhece o fato de que algumas pessoas sabem mais que outras sobre certas coisas - que o professor de inglês de Harvard sabe realmente mais sobre literatura e sua evolução que um garoto do ensino médio."

pág 175 "Larry Sanger não foi o único pioneiro da web 2.0 que acabou se dando conta da inferioridade do conteúdo amador. Niklas Zennstrom e Janus Friis, os fundadores do serviço original de compartilhamento de arquivos Kazza, bem como da companhia telefônica online Skype, lançaram o Joost, uma nova iniciativa de mídia digital para um mundo em que a internet e a televisão estão convergindo rapidamente."

pág 176 "Diferentemente de serviços de conteúdo gerado pelo usuário como o YouTube, plataformas como Joost e Brightcove conservam a divisão crucial entre criadores e consumidores de conteúdo. (...) Isso me dá esperança de que a tecnologia da web 2.0 possa ser usada para fortalecer a autoridade do especialista, não para eclipsá-la, de que a revolução digital possa iniciar uma era em que a autoridade do especialista seja fortalecida."

pág 176-7 "Desse modo, o futuro será iAmplify ou MySpace? Será YouTube ou Joost? Wikipédia ou Citizendium? A questão é ideológica, não técnica, (negrito meu) e a resposta depende em grande medida de nós. Podemos - e devemos - resistir ao canto de sereia do nobre amador e usar a web 2.0 para depositar confiança novamente em nossos especialistas."

pág 190 "Mas a tecnologia não cria o gênio humano. Apenas fornece novos instrumentos de auto-expressão."

Bom, mesmo com este resumo, ainda tem muita coisa que merece ser lida no livro. Boa leitura e divirtam-se também.