sexta-feira, 10 de julho de 2009

Livro Digital, a Amazon e o Kindle

Tendo em vista a importância do assunto reproduzo, na íntegra, matéria publicada pelo Jornal Valor Econômico.


EUA: Editoras temem o poder da Amazon com o Kindle
Valor Econômico 10/07/2009
Autor: Joseph Galante e Greg Bensinger

"O Kindle, da Amazon.com, que acelerou a compra de livros eletrônicos, poderá reduzir os lucros das editoras se a varejista pela internet jogar mais duro nas negociações sobre os preços pagos pelos títulos digitais.

As editoras nos EUA normalmente ganham cerca de US$ 2,15 por livro digital, contra US$ 0,26 por um exemplar impresso, segundo a Sanford C. Bernstein. Por um lado, as editoras veem os livros digitais como o futuro, mas, por outro, o mercado é dominado pelo Kindle, o que as deixa vulneráveis ao poder de negociação da Amazon.com. "Não queremos ficar em uma posição em que só podemos vender o nosso livro em um lugar", disse Maja Thomas, vice-presidente-sênior de mídia digital da Hachette Book Group, divisão da francesa Lagardère, sediada em Nova York. "Queremos o que as editoras querem e o que todo autor quer, que é a ubiquidade."

A Amazon, que na quarta-feira reduziu o preço do Kindle, paga de US$ 12 a US$ 13 ao editor por edições de livros que estão na lista dos mais vendidos do New York Times, e normalmente os vende por US$ 9,99 para os usuários do Kindle, disse Paul Aiken, diretor-executivo do Authors Guild, organização sediada em Nova York que dá apoio jurídico aos escritores. As editoras estão preocupadas com a possibilidade de a Amazon baixar os preços pagos a elas, de forma a aumentar o que ganha com a venda de livros, disse ele. "O setor, como um todo, está um pouco nervoso com o Kindle e a possibilidade de que a Amazon realmente venha a controlar totalmente o mercado de livros eletrônicos", disse Aiken. "O caminho inicial que for tomado neste ponto poderá determinar onde o setor editorial vai terminar e onde as pessoas vão obter seus livros eletrônicos no futuro."

Na situação atual, o preço de US$ 9,99 por um livro eletrônico é insustentavelmente baixo para a Amazon e as editoras, disse Claudio Aspesi, analista da Sanford C. Bernstein. A Amazon provavelmente vai aumentar o preço cobrado aos usuários do Kindle para US$ 12,50 e pressionar as editoras a venderem livros eletrônicos por menos, para que ela tenha lucro, disse Aspesi.

A Amazon é a maior varejista pela internet do mundo, tendo vendido US$ 4,89 bilhões no primeiro trimestre. Drew Herdener, porta-voz da empresa, recusou-se a comentar o relacionamento da Amazon com as editoras. Ele também se negou a discutir a estratégia de preços da empresa e se ela vende alguns livros abaixo do preço de custo.

O Kindle tem duas versões, uma que é vendida por US$ 299 e um modelo maior, de US$ 489. Há mais de 300 mil livros disponíveis para o equipamento. Demora menos de um minuto para baixar um livro, e uma tela branca-e-preta de alta resolução imita a aparência de um livro impresso. Até 2012, a Amazon.com deverá contabilizar mais de US$ 2 bilhões em lucros anuais com o Kindle e o seu conteúdo, previu Sandeep Aggarwal, analista da Collins Stewart. A Amazon.com não informa dados sobre as vendas do Kindle.

As editoras contam com a chegada de concorrentes para reduzir a sua dependência do Kindle. Empresas como a Plastic Logic e a FirstPaper, que é apoiada pela Hearst Corp., estão lançando equipamentos digitais de leitura. Até o fim do ano, o Google pretende oferecer às editoras um programa para a venda de livros eletrônicos diretamente para os consumidores, através da internet, disse Gabriel Stricker, porta-voz da empresa."

5 comentários:

Anônimo disse...

só para não perder o romantismo...e o cheiro do livro? e dormir na rede e deixar o livro e os óculos, cairem e depois perder a página em que estava?bobagens à parte, acho que para acadêmicos, para quem trabalha diretamente com os livros físicos(tradutores e porque não até vendedores de editoras/ distribuidores) será uma ferramenta muito bacana, facilitará bastante,armazenar, manusear...mas é bem frisado que as ´cousas´dos mundo tecnológico venham para somar não diminuir os espaços.é ótimo poder vender um ´livro digital´mas não deve se tornar uma ´ditadura´ um regra universal(senão você fica de fora da civilização)sem outra opção...tudo menos um tempo em que comprar livros impressos vire coisa do passado!

Maria Carolina disse...

Ah, cliquei no anônimo sem querer. quem escreveu fui eu, Maria Carolina- Livraria Cultura.abraço!

Vania Lacerda disse...

Rsrs...muito bom saber que existem "romanticos" no negócio do livro, Maria Carolina!
Cá entre nós, acho que o "objeto" livro nunca foi tão cultuado como está sendo hoje. Por um bom tempo, a existencia do livro fisico, como conhecemos hoje, não está ameaçada, não... Mas olha, tem muito livro que nem mereceria ser impresso. Acho que o meio digital é adequado, na medida mesmo, para os livros descartáveis...
Abs,

Jaime Mendes disse...

Olá Carol, Olá Vania,

o livro impresso sempre terá seu espaço. A diferença é que não será mais o único suporte para a informação.

Os livros digitais vão começar a ocupar seu espaço. Via de regra, parece que toda vez que surge uma nova mídia tende-se a achar que as vigentes naquele momento desaparecerão. Foi assim com a televisão em relação ao rádio, com a fita VHS em relção ao cinema, com o CD em relação ao LP etc etc.

O livro digital terá seu espaço e será, inclusive, muito importante para a circulação da diversidade de ideias. Aquele livro que hoje vende muito pouco, por N motivos, tende a sair de catálogo privando, assim, os poucos que podem ter interesse nele. Com o digital, sua vida será "eterna".

A questão é: como será a relação dos leitores que ainda nem nasceram com o livro físico?

beijo
jaime

Maria Carolina disse...

Pois é gente, mas o que eu fico pensando é em até quando o livro físico sobreviverá? já sobreviveu aos audiobooks(que ainda bem não pegaram tanto! mas agora o apelo ao mundo digital a tudo eletrônico, as comunicações instantâneas, a tudo num único click de um único aparelho, que eu fico muito preocupada.tem cidades- e suponho que muitas- sem bibliotecas nesse país, e de certo isso se repete nos países periféricos, então como terão acesso ao livro físico se esse chegar a ser atropelado pelo eletrônico? enfim, assunto para mais de metro, como dizem os mineiros.um abraço!