segunda-feira, 23 de março de 2009

e-commerce, balanço de 2008

Dia 17 de Março foi divulgada a 19a edição do relatório WebShoppers que "analisa a evolução do comércio eletrônico, as mudanças de comportamento e preferências dos e-consumidores."

No ano de 2008, segundo dados do Ibope Nielsen, 62,3 milhões de pessoas acessaram a web, de casa, do trabalho ou de lan houses.

Os principais dados do WebShoppers relativos a 2008 são os seguintes:
30% de crescimento no faturamento em relação a 2007;
R$ 8,2 bilhões de faturamento;
tíquete médio de R$ 328,00;




Em volume de pedidos as categorias mais vendidas são:
17% livros
12% saúde e beleza (inclui cuidados pessoais, perfumes, cosméticos e medicamentos)
11% informática
9% eletrônicos (inclui câmeras digitais)
6% eletrodomésticos

O Brasil já tem 13,2 milhões de pessoas que compraram pelo menos uma vez via web; em 2008, 51% foram do sexo feminino. De todas as pessoas que consumiram via web, 19% delas têm mais de 50 anos de idade.

As principais datas para compras, as já tradicionais, Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia dos Pais, Dia das Crianças e Natal, tiveram crescimento nominal em relação a 2007. Interessante notar que o livro, que é o principal produto vendido na web, em nenhuma das datas acima foi o principal. Eletrodomésticos foi o principal no Dia das Mães; saúde, beleza e medicamentos no Dia dos Namorados; eletrônicos (inclui câmera digital) no Dia dos Pais; brinquedos no Dia das Crianças; informática no Natal.

A expectativa para 2009 é de continuidade no crescimento e, segundo o relatório, estima-se que o número de e-consumidores chegue a 17,2 milhões no fim do ano. A classe C, que já é a maior, com 42% dos e-consumidores deve aumentar mais ainda sua participação.

Sua livraria já está na web?

quarta-feira, 18 de março de 2009

Indicações # 2: O Culto do Amador

Desde ontem, 17 de março, está disponível nas livrarias um importante e polêmico livro: O Culto do Amador: como blogs, MySpace, YouTube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores. O autor, Andrew Keen, foi um empreendedor pioneiro do Vale do Silício com o site de música Audiocafe.com. Este livro já foi publicado em 12 línguas diferentes e, creio, é fundamental para que possamos parar e debater sobre as consequências da web 2.0, as boas e as ruins. Andrew Keen já foi chamado de “uma prostituta mental do establishment” e de “Anticristo do Vale do Silício” por uns mas também é elogiado por outros; sinal de que o assunto web 2.0 tem muito pra ser discutido, pensado e repensado. (fonte site da Zahar)

“Maravilhoso e provocador . . . Eu acredito que esse é um poderoso livro que faz você parar e pensar no meio da obsessão e da quantidade de pessoas que buscam conforto na web2. Muito bem escrito também.” — Chris Schroeder, diretor-executivo WashingtonPost/Newsweek online e diretor-executivo Health Central Network.

"Embora eu não concorde com tudo que é dito por Keen, são páginas e páginas de insights e pesquisas muito interessantes. Aguardo o debate extremamente necessário sobre os problemas expostos - que precisam ser considerados." - Larry Sanger, co-fundador da Wikipédia, da qual já saiu, e fundador da Citizendium.

Andrew Keen escreve sobre mídia, cultura e tecnologia e seus textos são publicados nos periódicos Los Angeles Times, Wall Street Journal, Guardian, Independent, Forbes, Weekly Standard, Prospect e Fast Company, entre outros. Tem blog e site, o AfterTV e, na página 172 do livro escreve a seu respeito o seguinte: "Não sou nem antitecnologia nem antiprogresso. A tecnologia digital é algo de maravilhoso, que nos dá meios para nos conectarmos globalmente e partilharmos conhecimento de maneiras sem precedentes. Este livro certamente não poderia ter sido escrito sem o e-mail ou a internet, e sou a última pessoa a romantizar um passado em que escrevíamos cartas à luz de velas e elas eram entregues pelo Poney Express. A tecnologia digital tornou-se uma parte inescapável da vida no século XXI."

Como já li o livro (e do qual gostei muito), vou separar umas passagens que julgo importantes com o objetivo de despertar o interesse na leitura e posterior discussão dos temas propostos por Keen.

pág 24 "Hoje há potencialmente um Grande Irmão até mais ameaçador escondido nas sombras: o mecanismo de busca."

pág 25 "Mecanismos de busca como o Google sabem mais sobre nossos hábitos, interesses e desejos do que nossos amigos, nossos entes queridos e nosso psiquiatra juntos."

pág 27 "(...) Lawrence Lessing, fundador do Creative Commons, e William Gibson, o autor ciberpunk, enaltecem a apropriação da propriedade intelectual."

pág 28 " Kevin Kelly (...) tece rapsódias sobre a morte do texto independente tradicional - o que séculos de civilização conheceram como livro."

pág 45 "Ao solapar o especialista, a onipresença do conteúdo gerado pelo usuário e gratuito ameaça o próprio cerne de nossas instituições profissionais. A Wikipédia de Jimmy Wales, com seus milhões de editores amadores e conteúdo não confiável, é o 17 site mais acessado da internet; Britannica.com, com seus 100 ganhadores do Prêmio Nobel e 4 mil colaboradores especialistas, está em 5.128 lugar."

pág 47 "Com uma quantidade cada vez maior da informação online não editada, não verificada e não comprovada, não teremos outra escolha senão ler tudo com ceticismo. (...) A informação gratuita de fato não é gratuita; todos nós acabamos pagando por ela de uma maneira ou de outra com o mais valioso de todos os recursos - nosso tempo.
A Wikipédia está longe de estar sozinha em sua celebração do amadorismo. Os `jornalistas-cidadãos` também - os analistas, repórteres, comentadores e críticos amadores na blogosfera - empinham a bandeira do nobre amador na web 2.0."

pág 56 "Jürgen Habermas falou sobre a ameaça que a web 2.0 representa para a vida intelectual no Ocidente: ´o preço que pagamos pelo crescimento do igualitarismo oferecido pela internet é o acesso descentralizado a artigos não editados. Nesse meio, as contribuições de intelectuais perdem seu poder de criar um foco.´"

pág 57 "Kevin Kelly, mais um utópico do Vale do Silício, quer a completa extinção do livro - bem como dos direitos de propriedade intelectual de escritores e editores."

pág 60 "O que a web 2.0 nos dá é uma cultura infinitamente fragmentada em que ficamos irremediavelmente desorientados, sem saber como concentrar nossa atenção e despender nosso tempo limitado. E essa cultura do amador vai muito além de livros e música."

pág 63 "Para se tornar um médico, um advogado, um músico, um jornalista ou um engenheiro é preciso fazer um investimento significativo da própria vida em educação e treinamento, inúmeras audições ou exames de ingresso e certificação, além de assumir o compromisso com uma carreira de trabalho árduo e cargas horárias pesadas. (..) Pode o culto à figura do nobre amador realmente esperar contornar tudo isso e fazer um trabalho melhor?"

pág 64 "No fluxo infindável de conteúdo não filtrado, gerado pelo usuário do mundo digital, as coisas de fato muitas vezes não são o que parecem. Sem editores, verificadores de fatos, administradores ou reguladores para monitorar o que está sendo postado, não temos ninguém para atestar a confiabilidade ou a credibilidade do conteúdo que lemos e vemos em sites..."

pág 67 "O problema é que a natureza viral não editada do YouTube permite a qualquer pessoa - de neonazistas a publicitários ou membros de staffs de campanha - postar anonimamente vídeos enganosos, fraudulentos, manipuladores ou fora de contexto."

pág 72 "Na mídia tradicional, leis contra a calúnia e a difamação protegem as pessoas desses tipos de assassinatos perversos da reputação. Mas, em parte por causa do anonimato e da informalidade da maioria das postagens na web, tem sido difícil aplicar essas leis ao mundo digital."

pág 73 "Os proprietários dos jornais tradicionais e de redes noticiosas são considerados legalmente responsáveis pelas afirmações de seus repórteres, âncoras e colunistas, o que os estimula a preservar certo padrão de veracidade no conteúdo que veiculam em seus jornais ou em suas emissoras. Os proprietários de sites, por outro lado, não são responsáveis pelo que é postado por um terceiro. Alguns dizem que isso é uma proteção à livre manifestação do pensamento. Mas a que custo? Enquanto não forem considerados responsáveis, os proprietários de sites e blogs têm pouco estímulo ou incentivo para questionar ou avaliar a informação que publicam."

pág 74 "Antes da web 2.0, nossa história intelectual coletiva foi conduzida pela cuidadosa agregação de verdades - através de livros profissionalmente editados e materiais de referência, jornais, rádio e televisão. Mas quando toda a informação se torna digitalizada e democratizada, e é tornada universal e permanentemente disponível, a mídia de registro transforma-se numa internet em que a falsa informação nunca desaparece. Em consequência, nosso banco de informações coletadas fica infectado por erros e fraudes. Os blogs estão conectados através de um único link, ou séries de links, a inúmeros outros blogs, e as páginas de MySpace estão conectadas a inúmeras outras páginas de MySpace, que se conectam a inúmeros vídeos do YouTube, verbetes da Wikipédia e sites da web com diferentes origens e finalidades. É impossível deter a difusão da informação falsa, muito menos identificar sua fonte. Futuros leitores muitas vezes herdam e repetem essa informação falsa, agravando o problema e criando uma memória coletiva profundamente defeituosa."

pág 90 "No mundo da web 2.0, as massas tornaram-se a autoridade que determina o que é e o que não é verdadeiro. Mecanismos de busca como Google, (...), respondem a nossas indagações não com o que é mais verdadeiro ou mais confiável, mas simplesmente com o que é mais popular."

pág 91 "O problema, porém, é que a geração da web 2.0 está tomando os resultados dos mecanismos de busca como verdades inquestionávies."

pág 92 "Quando nossas intenções individuais ficam na dependência da sabedoria das massas, nosso acesso à informação é restringido e, em consequência, nossa visão do mundo e nossa percepção da verdade ficam perigosamente distorcidas."

pág 110 "Em qualquer profissão, quando não há incentivo ou recompensa monetária, o trabalho criativo estaca. Como Dickens, um dos pioneiros a pressionar ativamente o Congresso em prol da proteção aos direitos autorais, observou com pertinência, a literatura americana só poderia florescer se os editores americanos fossem obrigados por lei a pagar aos escritores o que lhe era devido; permitir aos editores publicar as obras de autores estrangeiros gratuitamente só desencorajaria a produção literária."

pág 112 "Mas as consequências econômicas da revolução da web 2.0 vão muito além de livros e música apenas. Graças a produtos pirateados, notícias gratuitas nos blogs, rádio gratuito fornecido pelos podcasters, e classificados gratuitos na Craigslist, nossa indústrias de mídia e fornecedores de contaúdo de todos os tipos - rádio, televisão, jornal, as empresas de cinema - estão em declínio."

pág 116 "(...) milhares de outras livrarias queridas por toda a parte nos Estados Unidos que foram forçadas a fechar as portas por causa da e-competição feita pela internet, com seus preços reduzidos. Segundo números levantados pelo New York Times, 2.500 livrarias independentes desapareceram desde 1990."

pág 117 "Mas será que o fechamento de lojas independentes resulta em mais escolha para os consumidores? Em vez de 2.500 livrarias independentes, com seus vendedores bem informados, amantes dos livros, seções especializadas e relações com escritores locais, temos agora uma oligarquia de megalojas online empregando algoritmos desalmados, que usam nossas compras anteriores e as compras de outros para nos dizer o que queremos comprar."

pág 127 "Caso os jornais e a televisão tradicionais falissem, onde os sites de notícias online obteriam seu conteúdo?"

pág 128 "Revelador é o fato de que, em contraste com companhias como a Time Warner ou a Disney, que criam e produzem filmes, música, revistas e televisão, o Google é um parasita; não cria nenhum conteúdo próprio. Sua única realização é ter descoberto um algoritmo que estabelece links entre conteúdo preexistente e outros conteúdos preexistentes na internet e cobrar dos anunciantes cada vez que um desses link é clicad0. Em termos de criação de valor, não há nada ali afora seus links."

pág 135 "A colagem, remixagem, combinação, empréstimo, cópia - o furto - da propriedade intelectual tornou-se a atividade isolada mais disseminada na internet. E está transformando e distorcendo nossos valores e nossa própria cultura."

pág 135-6 "O problema não se resume a filmes e músicas pirateados. Trata-se agora de uma incerteza mais ampla sobre quem possui o quê numa era em que qualquer pessoa, com o clique de um mouse, pode recortar e colar conteúdo e apropriar-se dele. A tecnologia da web 2.0 está confundindo o próprio conceito de propriedade, criando uma geração de plagiadores e ladrões de direitos autorais com pouco respeito pela propriedade intelectual. Além de músicas ou filmes, eles estão furtando artigos, fotografias, cartas, pesquisas, vídeos, jingles, personagens e praticamente qualquer outra coisa que possa ser digitalizada e copiada eletronicamente. Nossos filhos estão baixando e usando essa propriedade furtada para avançar por meio da trapaça na escola e na universidade, apresentando as palavras e a obra de outros como suas em trabalhos, projetos e teses."

pág 137 "Lawrence Lessing, professor de direito da Universidade de Stanford, afirma que o `compartilhamento legal` e a `reutilização` de propriedade intelectual é um benefício social. (...) O que ele não reconhece é que a maior parte do conteúdo que está sendo compartilhado (...) foi composto ou escrito por alguém com o suor de seu trabalho criativo e o uso disciplinado de seu talento."


pág 137-8 "O fato é que cooptar o trabalho criativo de outras pessoas - seja compartilhando arquivos, baixando filmes e vídeos ou apresentando o escrito de outros como seu - é não somente ilegal, na maioria dos casos, como imoral. No entanto, a aceitação generalizada desse comportamento ameaça solapar uma sociedade construída com trabalho árduo, inovação e a realização intelectual de nossos escritores, cientistas, artistas, compositores, músicos, jornalistas, críticos e cineastas."

pág 162 "Mais chocante que a quantidade de informação roubada na web, sob muitos aspectos, é a quantidade de informação privada permutada legalmente a cada dia. (...) No mundo da web 2.0, onde cororações e agências governamentais têm fácil acesso a cada uma dessas buscas, o direito à privacidade está se tornando uma noção antiquada."

pág 162-3 "O Google, o Yahoo! e a AOL, que não têm nenhuma responsabilidade legal de eliminar dados antigos, mantêm registros dos assuntos que pesquisamos, dos produtos que compramos e dos sites que visitamos. Esses mecanismos de busca querem nos conhecer intimamente, querem ser nossos confidentes mais chegados. Afinal, quanto mais informação possuem sobre nós - nossos hobbies, nossos gostos e nossos desejos - , mais informação podem vender aos anunciantes e negociantes, permitindo-lhe melhor personalizar seus produtos, anúncios e abordagens. Mas nossa informação não é distribuída apenas a anunciantes. Todo mundo, de hackers e ciberladrões a funcionários estaduais e federais, pode potencialmente descobrir qualquer coisa, do último ingresso de cinema que compramos aos remédios sob prescrição que tomamos, passando pelo saldo de nossa conta de poupança."

pág 163 "Mas como o Google e a AOL adquirem toda essa informação detalhada? Através dos inocentemente chamados `cookies` - pequeninos pacotes de dados implantados em nosso navegador da internet que estabelecem um número de identidade único de nosso disco rígido e permitem a sites da web reunir registros precisos de tudo que fazemos online. Esses pacotes de dados representam um pacto faustiano que fazemos com o demônio da internet. Cada vez que chegamos a uma página da web, um cookie é ativado, dizendo àquele site quem o está visitando. Os cookies transformam nossos hábitos em dados. Eles são minas de ouro para negociantes e anunciantes. Registram nossos sites preferidos, lembram as informações de nosso cartão de crédito, armazenam o que pomos nas nossas sacolas de compras eletrônicas e anotam em que anúncios de banner clicamos."

pág 164 "Essa compilação de informação pessoal não se limita apenas aos mecanismos de busca da internet. (...) a Amazon.com (...) não quer possuir apenas nossa experiência de compras online, quer ter o comprador online - transformando cada um de nós em mais um ponto num banco de dados infinito a serviço do e-comércio.
Sir Francis Bacon, o pai elisabetano da ciência indutiva, escreveu, de forma otimista, que `conhecimento é poder`. Mas em nossa era digital contemporânea é a informação, não o conhecimento, que proporciona poder."

pág 167 "(...) a revolução da web 2.0 está apagando as linhas entre público e privado."


Andrew Keen também apresenta algumas possíveis soluções. Então o que pode ser feito?

pág 173 "Nosso desafio é, antes, proteger o legado de nossa mídia convencional e 200 anos de proteção aos direitoa autorais dentro do contexto da tecnologia digital do século XXI. Nossa meta deveria ser preservar nossa cultura e nossos valores, ao mesmo tempo em que desfrutamos os benefícios das potencialidades da internet de hoje. Precisamos encontrar uma maneira de equilibrara o melhor do futuro digital sem destruir as instituições do passado."

pág 174 Larry Sanger "compreendeu que o problema da Wikipédia estava em sua implementação, não em sua tecnologia. Assm, desligou-se do projeto e reconsiderou como se poderia conciliar a voz e a autoridade de especialistas com o conteúdo gerado pelo usuário. E voltou com uma solução que combinava o melhor da velha e da nova mídia. Chamou-a de Citizendium." (compêndio de tudo dos cidadãos).

pág 175 "O que há de mais inovador no Citizendium é que ele reconhece o fato de que algumas pessoas sabem mais que outras sobre certas coisas - que o professor de inglês de Harvard sabe realmente mais sobre literatura e sua evolução que um garoto do ensino médio."

pág 175 "Larry Sanger não foi o único pioneiro da web 2.0 que acabou se dando conta da inferioridade do conteúdo amador. Niklas Zennstrom e Janus Friis, os fundadores do serviço original de compartilhamento de arquivos Kazza, bem como da companhia telefônica online Skype, lançaram o Joost, uma nova iniciativa de mídia digital para um mundo em que a internet e a televisão estão convergindo rapidamente."

pág 176 "Diferentemente de serviços de conteúdo gerado pelo usuário como o YouTube, plataformas como Joost e Brightcove conservam a divisão crucial entre criadores e consumidores de conteúdo. (...) Isso me dá esperança de que a tecnologia da web 2.0 possa ser usada para fortalecer a autoridade do especialista, não para eclipsá-la, de que a revolução digital possa iniciar uma era em que a autoridade do especialista seja fortalecida."

pág 176-7 "Desse modo, o futuro será iAmplify ou MySpace? Será YouTube ou Joost? Wikipédia ou Citizendium? A questão é ideológica, não técnica, (negrito meu) e a resposta depende em grande medida de nós. Podemos - e devemos - resistir ao canto de sereia do nobre amador e usar a web 2.0 para depositar confiança novamente em nossos especialistas."

pág 190 "Mas a tecnologia não cria o gênio humano. Apenas fornece novos instrumentos de auto-expressão."

Bom, mesmo com este resumo, ainda tem muita coisa que merece ser lida no livro. Boa leitura e divirtam-se também.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

2009, Ano Internacional da Astronomia

As Nações Unidas elegeram o ano de 2009 como o Ano Internacional da Astronomia com o tema "O Universo para você descobrir". O objetivo é despertar o interesse, principalmente do público jovem, para a astronomia e a ciência em geral. A UNESCO e a União Astronômica Internacional serão os principais responsáveis pelas comemorações e implantação das atividades.

Mas, por que 2009? Porque há exatos 400 anos, em 1609, Galileu Galilei fez a primeira observação astronômica utilizando um telescópio. O inventor do telescópio foi Hans Lippershey, holandês fabricante de lentes que, em 1608, construiu esse instrumento para observação de objetos à distância para fins militares. A notícia chegou a Galileu que se empenhou em desenvolver o seu próprio telescópio, também conhecido como luneta. Na imagem ao lado, as duas primeiras lunetas de Galileu expostas no Museu de História da Ciência de Florença. (As lunetas estão apoiadas diagonalmente).

A teoria de Copérnico de que o Sol era o centro do universo conhecido começou a ser divulgada a partir de 1529 através de um manuscrito. Em livro foi publicada somente em 1543, ano em que Copérnico faleceu; recebeu um exemplar da obra já em seu leito de morte. Esta hipótese heliocêntrica (já levantada em 300 a.C. por Aristarco de Samos) contrapunha-se à teoria geocêntrica (a Terra era o centro do universo) que tinha por base a física aristotélica e que foi consolidada por Ptolomeu na primeira metade do século II, em 140 d.C.. Assim, durante quase 14 séculos prevaleceu a teoria geocêntrica que veio a constituir-se num artigo de fé, confirmado por interpretações de passagens bíblicas (no Salmo 104:5 da Bíblia, está escrito: "Lançaste os fundamentos da Terra, para que ela não fosse abalada em tempo algum."). Copérnico não tinha como comprovar sua hipótese que era baseada em cálculos matemáticos.

Portanto, esta primeira observação astronômica feita por Galileu comprovou a hipótese levantada por Nicolau Copérnico, revolucionou o conhecimento científico da época e foi além, com profundas consequências culturais, sociais e religiosas diretamente no dia-a-dia das pessoas e da sociedade. Galileu observou as montanhas lunares e as manchas solares, os satélites de Júpiter, as fases de Vênus e o planeta Saturno. Os satélites de Júpiter foram a descoberta que desferiu o golpe derradeiro na teoria geocêntrica, pois mostra que a Terra não é o único centro para os movimentos; Júpiter também o era para seus satélites. Todas estas descobertas foram publicadas no livro "Sidereus Nuncius" ("Mensageiro das Estrelas"), em 1610.

Em 19 de fevereiro de 1616 Galileu é proibido pela Inquisição do Tribunal do Santo Ofício de difundir ideias heliocêntricas (vinha escrevendo em italiano com esse objetivo). Em 5 de março de 1616 a Congregação do Index colocou o Des Revolutionibus de Copérnico no Índice de livros proibidos pela Igreja Católica, junto com todos os livros que defendiam a teoria heliocêntrica, tendo como justificativa o Salmo 104:5 da Bíblia, supra citado. O modelo heliocêntrico foi condenado como "absurdo e herético" e a teoria do movimento de rotação da Terra como "errônea na fé". Em 22 de junho de 1633 Galileu é julgado e condenado por heresia e obrigado a negar (abjurar) publicamente suas ideias de que a Terra não é o centro do universo e que não é imóvel. Reza a lenda que, depois do julgamento, Galileu teria murmurado "eppur si muove" (contudo, move-se). Também é proibido de ter contato público e de publicar novos livros. Praticamente cego, termina o Discorsi e dimonstrazioni matematiche intorno a due nuove scienze, attinenti alla meccanica e I movimenti locali (Discurso das Duas Novas Ciências, Mecânica e Dinâmica). O livro é contrabandeado para a Holanda e publicado em Leiden em 1638. Este livro é considerado a obra fundadora da física moderna.

Somente em 1822 as obras de Copérnico, Kepler e Galileu foram retiradas do Índice de livros proibidos; em 1982, o Papa João Paulo II depois da visita à Universidade de Pádua, ordenou a revisão do processo contra Galileu. Esta revisão durou até 1999, quando a Igreja Católica finalmente decidiu por sua absolvição, 357 anos após sua morte.

Para termos uma ideia da importância das ideias de Copérnico e de Galileu, Sigmund Freud, sim ele mesmo, o descobridor da psicanálise, do inconsciente, no texto "Uma Dificuldade no Caminho da Psicanálise", escrito em 1917, propõe-se "a descrever como o narcisismo universal dos homens, o seu amor-próprio, sofreu até o presente três severos golpes por parte das pesquisas científicas". (são as feridas narcísicas) (vol 17 das obras completas - Imago, páginas 149 a 153).

1-Copérnico tira a Terra do centro do Universo; é o golpe cosmológico;

2-Darwin, com a Evolução das Espécies, publicado em 1859, questiona a ascendência divina da humanidade e tira o homem do centro da criação, demonstrando que também faz parte de um processo evolutivo; é o golpe biológico;

3-Freud, com a teoria do inconsciente; é o golpe psicológico. Nas palavras de Freud: "É assim que a psicanálise tem procurado educar o ego. Essas duas descobertas - a de que a vida dos nossos instintos sexuais não pode ser inteiramente domada, e a de que os processos mentais são, em si, inconscientes - (...), equivalem à afirmação de que o ego não é o senhor da sua própria casa. (...) Não é de espantar, então, que o ego não veja com bons olhos a psicanálise e se recuse obstinadamente a acreditar nela." (pp 152-3).

Portanto, se ainda fosse livreiro e depois destas "descobertas", passaria a ter um espaço, com destaque, dedicado a estes grandes pensadores, responsáveis por profundas transformações no entendimento do homem e do mundo; um tributo à ciência e ao conhecimento humanista.

Para terminar, em agosto deste ano de 2009, será realizada no Rio de Janeiro a Assembléia Geral da União Astronômica Internacional. Para ajudar na divulgação do tema, seguem alguns títulos da Zahar relacionados com o evento e com este ano especial:







A relação de todos os títulos da Zahar dentro do assunto ciência pode ser vista através do seguinte link.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Zygmunt Bauman

Lá se vão 11 anos desde o início da publicação das obras de Bauman no Brasil. O primeiro livro publicado foi O Mal-Estar da Pós-Modernidade em 1998 (edição original de 1997).

A partir de 10 de fevereiro de 2009 estará disponível nas livrarias A Arte da Vida, publicado em 2008 na Inglaterra. A venda acumulada dos 16 títulos já publicados pela Zahar está em 160.000 exs, o que é um número muito expressivo para um escritor (sociólogo). Certamente esse número representa sua capacidade de escrever e de ser lido por pessoas com as mais diversas formações acadêmicas, para além dos cursos de sociologia. Uma das comunidades no Orkut http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=58721 conta, neste momento, com 3.380 membros, muitos com formação e/ou escrevendo teses nas áreas de psicologia, economia, direito, história, sociologia etc.

No YouTube sua popularidade também é elevada, tendo em vista a quantidade de exibições de vídeos sobre ele e suas obras. Segue o link retirado do site da Zahar http://www.youtube.com/results?search_type=&search_query=Zygmunt+Bauman&aq=f

Mas afinal, quem é Zygmunt Bauman?
Bauman nasceu em 19.11.1925 na Polônia. Iniciou sua carreira na Universidade de Varsóvia, onde teve artigos e livros censurados e em 1968 foi afastado da universidade. Logo em seguida emigrou da Polônia, reconstruindo sua carreira no Canadá, Estados Unidos e Austrália, até chegar à Grã-Bretanha, onde em 1971 se tornou professor titular da Universidade de Leeds, cargo que ocupou até 1990. Após sair da Universidade de Leeds aumentou sua produção intelectual tendo publicado praticamente um novo livro por ano. Em 1998 recebeu o prêmio Adorno pelo conjunto da sua obra. (fonte: site da Zahar).

Ainda neste ano de 2009 a Zahar publicará mais dois títulos de Bauman. O próximo, Confiança e Medo na Cidade, está previsto para 24 de Março. Dentre os 16 títulos já publicados as maiores vendas são:
30 mil exs Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos
20 mil exs Globalização: as consequências humanas
16 mil exs Mal-Estar da Pós-Modernidade
16 mil exs Modernidade Líquida



Um de seus mais recentes êxitos de venda é Medo Líquido, lançado em janeiro de 2008 e que já foi comprado por 8 mil leitores.
Para saber mais sobre Bauman leia a entrevista realizada em 2003 por Maria Lúcia Pallares-Burke e publicada em 2004 na Revista Tempo Social da USP. http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-20702004000100015&script=sci_arttext

O resumo é o seguinte: "Nesta entrevista, o sociólogo Zygmunt Bauman reflete sobre vários aspectos da "sociologia humanística" que pratica e também sobre momentos memoráveis de sua trajetória, desde a Polônia comunista até a Inglaterra neo-liberal de Tony Blair."

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Sua Livraria Está na Web?


Não?!

Então anotem alguns números:

Usuários
01-O número de usuários de internet no Brasil só em residências chegou a 24,5 milhões em dezembro de 2008, segundo o IBOPE/NetRatings.

02-Somando-se todos os ambientes (residências, trabalho, escolas, lan-houses, bibliotecas, telecentros), e somente para pessoas com 16 anos ou mais de idade, o acesso foi de 43,1 milhões, no terceiro trimestre de 2008. Nos últimos meses, o aumento da quantidade de usuários ativos em residências vem ocorrendo principalmente entre pessoas adultas. Entre dezembro de 2007 e dezembro de 2008, o público com até 24 anos cresceu 7,5%, enquanto entre adultos com 25 anos ou mais de idade a evolução foi de 21,5%. (IBOPE/NetRatings).

03-Segundo pesquisa da ONU publicada no Estado de São Paulo, o país tem 39 milhões de usuários de internet, o que o torna o 6º no mundo em número de usuários. A liderança é dos EUA com 210 milhões de usuários. A China vem em segundo lugar com 162 milhões. No Japão são 86 milhões, 50 milhões na Alemanha e 42 milhões na Índia.

04-Em janeiro de 2006 o Brasil tinha 867 mil domínios registrados; três anos depois, em janeiro de 2009, o número está em um milhão e meio (precisos 1.553.205). No mundo são 174 milhões de domínios segundo a Verisign.

05-Ainda segundo o IBOPE/NetRatings "em dezembro de 2008, o tempo de navegação do internauta residencial brasileiro foi de 22 horas e 50 minutos, 4% menos que no mês de novembro e 0,7% menos que em dezembro de 2007. Com isso, em dezembro, a França ocupou a primeira posição entre os países medidos com a mesma metodologia, com 23 horas e 39 minutos, seguida pela Alemanha, que marcou 23 horas e 3 minutos de navegação por pessoa em residências."

Faturamento na web
01-Segundo dados, ainda prévios, da e-bit as vendas na web em 2008 chegaram a R$ 8.200.000.000,00 (8,2 bilhões), o que é um crescimento de 30% em relação a 2007. Os números finais estão para sair na 19ª edição do relatório WebShoppers.

02-No período de Natal de 2008 (considerado entre 15 de novembro e 23 de dezembro) livros, revistas e jornais somaram 18% nas vendas, seguidos de produtos de saúde e beleza (13%), informática (9%), eletrônicos (7%) e telefonia celular (5%). (e-bit).

Mercado do livro no Brasil
Com a compra da Siciliano pela Saraiva em 2008, o mercado do livro no Brasil entrou, definitivamente, num período de concentração que não terá volta. Para continuarem a ser competitivas, redes como Cultura, Fnac, Curitiba, Travessa, Vila dentre outras terão que abrir mais e mais lojas também. Assim, a concentração se acentuará e as pequenas e médias livrarias verão diminuir, a cada ano, a possibilidade de coexistirem fisicamente no mercado do livro. A concentração faz parte da economia do mundo atual. A cada dia tem-se notícias de fusões e incorporações nos mais diferentes tipos de negócios: siderurgia, alimentos, saúde, comunicações, automotivos etc, etc. Por que seria diferente no mercado do livro?

No Brasil a concentração começou pelas editoras. A editora Record inaugurou as compras: Bertrand Brasil (1996); Civilização Brasileira (2000); José Olympio (2001); Best-Seller (2004).

Em 1999 a editora Ática foi comprada pelo grupo francês Vivendi em parceria com a editora Abril. Em fevereiro de 2004 a Abril comprou a parte da Vivendi e passou a ser a sócia majoritária da Ática.

Em 2001 o grupo espanhol Santillana, que é o braço editorial do grupo Prisa, um dos maiores da Europa na área das comunicações, comprou a editora Moderna; em junho de 2005 comprou a editora Objetiva.

A Ediouro não ficou pra trás e também foi às compras: Agir (2002); Nova Fronteira; Nova Aguilar; Thomas Nelson (parceria); Desiderata (2008).

Portanto, de um lado temos uma concentração no setor editorial, ainda que pequena frente à quantidade de editoras no país e, de outro, uma concentração mais acentuada no varejo, nas livrarias. Como sobreviver (vale para editoras e livrarias) e até crescer neste novo cenário? No meu modo de ver uma das "saídas", se não a única, é pela web.

O pioneirismo (visionário) da venda de livros no Brasil pela web pertence à Livraria Cultura que, em 1995, inaugurou seu site. De lá pra cá muitas outras livrarias e empresas de e-commerce disputam a primazia no espaço virtual pela venda de livros. A concorrência é grande entre Cultura, Saraiva (e Siciliano), Submarino, Fnac, Americanas, Curitiba, Travessa, Vila, Martins Fontes dentre outras. Para se ter uma idéia da importância da web, via de regra, a loja virtual tem uma venda no mínimo igual à venda de uma das lojas físicas das livrarias citadas. Mas então, como uma pequena livraria pode querer vender pela web com tanta concorrência já instalada? Como vai disputar a venda dos best-sellers que são ofertados com descontos às vezes maiores do que o desconto comercial que essa pequena livraria tem?

Em 1995, nos meus tempos de Contra Capa, localizada em Copacabana, RJ, não tinha e-mail, não tinha internet, não tinha nem sistema gerencial na livraria; mas vendia para clientes em Manuas, em Aracaju, em Fortaleza etc, etc. E por quê? Porque o segredo do negócio não é ficar atrás do "balcão" e esperar que o cliente entre na loja; o segredo está em ir até o cliente; em fazer chegar a ele informações que possam vir a despertar-lhe a vontade de comprar um livro. Hoje em dia a web é a grande facilitadora para isso. Está aí, a um clique.

Vamos a um exercício prático: se você tem uma pequena livraria física ela está localizada em algum bairro de uma cidade grande, média ou pequena; não importa. Quem será seu público potencial? Muito provavelmente os que moram ou trabalham perto dela; digamos num raio de uns três quilômetros. Ah, mas sejamos generosos, pois existem clientes que se deslocam de um bairro pra outro pra comprar livros; digamos então uns 20 Km. Fique com esse número. O Brasil tem 8 milhões e meio de Km2 onde vivem as pessoas e você abre mão assim, facilmente, desse seu público potencial?

A outra questão levantada acima é que a pequena livraria não tem como disputar a venda dos best-sellers, devido aos descontos oferecidos na web; e best-seller é o que mais vende na web, certo? Errado! O que mais vende na web não é best-seller, ou talvez pra ser mais preciso, o que dá mais lucro não é o best-seller e, sim, os livros que não o são. Aliás, a maioria de qualquer tipo de produto que se pense, não é best-seller. Pense em filmes, em músicas, em carros, em pasta de dente, em feijão ou arroz etc, quantos chegam ao topo? Poucos, mas os que não chegam também vendem.

No caso do livro, posso exemplificar com o catálogo da Zahar. Clientes que têm venda pela web chegam a vender no ano cerca de 800 títulos diferentes, o que não acontece numa pequena ou média livraria física, e até numa mega, arrisco-me a dizer. E por quê? Porque tem livro que vende pouco mesmo; tem livro que interessa a pouca gente, mas interessa. E o importante, o fundamental, é que exista algum espaço onde ele possa ser encontrado e comprado. Pra quem ainda não conhece, já foi criado um conceito para definir essa venda de muitos itens com poucos exemplares de cada um deles:











Chris Anderson é o autor do conceito e também do livro de mesmo nome que foi publicado no Brasil pela editora Campus. Considero leitura obrigatória. É dever de casa para quem ainda não a fez.

Ao implodir as barreiras geográficas, a web vai impedir que ideias totalizantes e totalitárias dominem a sociedade ao possibilitar a circulação das mais diferentes ideias e valores culturais, seja através da venda de produtos que sejam seus suportes como livros, cds, dvds e/ou a simples troca de arquivos com essas ideias, com pagamento ou não de direitos autorias. Mas aí, já é matéria para discussão acalorada em outros posts.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Darwin, 200 anos

Charles Robert Darwin nasceu em 12.02.1809 e, neste ano de 2009, completam-se 200 anos dessa data. Seu livro mais conhecido, e o mais importante, A Origem das Espécies, também tem uma data de "nascimento" terminando em 9; fui publicado em 24.11.1859 e, assim, está completando 150 anos de existência. Atrevo-me a dizer que já é um dos clássicos da humanidade. Darwin, enquanto viveu, (faleceu em 1882), publicou seis edições em Londres num total de 18 mil exs; também viu seu livro ser traduzido para 11 diferentes línguas e tentou supervisionar todas essas edições.

A primeira edição de A Origem das Espécies foi publicada por John Murray. Segundo Janet Browne "era um volume de aspecto bastante comum, encadernado em encorpado tecido verde, com 502 páginas e o preço, um pouco salgado para o mercado de livros vitoriano, de 14 xelins - mais que o salário semanal de um operário naquela época." (pág 13) Esta primeira edição de 1.250 exs foi toda vendida aos livreiros no dia em que foi lançada.

Na foto acima, de 1860, Darwin está com 51 anos de idade.

Janet Browne, autora de uma biografia sobre o livro de Darwin, comenta que:
"Os textos antigos muitas vezes são recriados por novas formas de olhar, e parece que A Origem das Espécies de Darwin mostrou-se flexível na sobrevivência de suas principais propostas e meleável nas mãos de seus devotos. Pode ser visto, portanto, não como uma voz solitária a contestar deliberadamente as tradições da Igreja ou os valores morais da sociedade, mas como um dos eixos de transformação do pensamento ocidental." (pág 162)

A Origem das Espécies é um dos livros mais representativos do poder das idéias o que faz com que girem, ao seu redor, a fúria de uns e a admiração de outros. Atualmente o debate ainda persiste entre criacionistas e darwinistas.

Hoje em dia existe uma organização para promover a educação em ciência e divulgar as ideias de Darwin: a Darwin Day Celebration - DDC. No Brasil também existem iniciativas no mesmo sentido. Veja o site Ano de Darwin.

Portanto, esta é uma boa oportunidade para fazer uma exposição diferenciada de livros de Darwin e de outros títulos diretamente relacionados. Várias editoras têm livros publicados sobre o tema. No caso da Zahar, listo os seguintes:

"A Origem das Espécies" de Darwin: uma biografia
Janet Browne
Um relato cativante da obra que alterou para sempre nosso conhecimento a respeito do homem. Janet Browne mostra como A origem das espécies pode reivindicar para si o papel de maior livro científico já escrito no mundo. A autora - uma das mais conhecidas biógrafas de Darwin e editora de sua correspondência – analisa o desenvolvimento das teorias darwinianas, explica como foram recebidas e examina por que ainda hoje são negadas por alguns. Pesquisa as fontes originais, as discussões que provocou e o legado das idéias de Darwin.

Aventuras e Descobertas de Darwin a Bordo do Beagle 1832-1836
Richard Keynes
A partir de correspondências, diários e registros avulsos, além de desenhos e pinturas feitos pelo então jovem naturalista Charles Darwin e outros viajantes do HMS Beagle, Richard Keynes – bisneto de Darwin – acompanha aquela que talvez seja a mais importante aventura científica da era moderna, transportando o leitor para uma viagem que começava em 1831, duraria cinco anos e iria representar uma grande virada na história da ciência. Em um relato emocionante, Keynes narra a descoberta de fósseis pré-históricos, a descrição de animais e plantas nunca antes vistos, o encontro com povos ainda mal conhecidos e a formação, na mente genial daquele jovem cientista, da teoria da evolução das espécies e sua adaptação aos ambientes naturais. Uma oportunidade de compartilhar do momento decisivo da formação do pensamento científico e social no Ocidente.

Infinitas Formas de Grande Beleza: como a evolução forjou a grande quantidade de criaturas que habitam o nosso planeta
Sean B. Carroll
Um dos maiores espetáculos da vida é a transformação de uma única célula – o óvulo fertilizado – nos trilhões de células animais. No caso dos homens, essa única célula se torna o mais complexo mecanismo do mundo. Ao combinar um estilo cativante e preciso a um profundo conhecimento da área, Sean Carroll – um dos mais importantes biólogos de sua geração – destrincha os princípios do desenvolvimento e da evolução, e mostra como eles explicam o progresso, no tempo, das diferentes espécies e dos indivíduos de uma mesma espécie. A expressão que dá título ao livro – Infinitas formas de grande beleza – foi retirada das últimas linhas de Origem das espécies, de Charles Darwin.

O que É Vida?
Lynn Margulis e Dorion Sagan
Ao mergulhar no coração da matéria viva, O que é vida? busca responder a esta antiga pergunta da humanidade, examinando questões como: • a condição da Terra como um superorganismo; • a conexão biológica entre morte programada e sexo; • a evolução simbiótica dos cinco reinos orgânicos; • a base solar da economia global de troca de calor; • a hipótese de que a vida tem liberdade de ação, tendo desempenhado papel importante e inesperado em nossa evolução.

O Espectro de Darwin: a teoria da evolução e suas implicações no mundo moderno
Michael R. Rose
Uma análise da influência que o trabalho de Darwin teve e tem no que se refere a aspectos práticos de nossa existência, bem como à nossa própria natureza, buscando responder às seguintes perguntas: Como o ambiente científico de uma época pode moldar as idéias dos cientistas? Que progressos foram feitos no conhecimento científico que vieram enriquecer a teoria da seleção natural? Como foram por ela afetadas a taxonomia vegetal e animal, a agricultura, bem como nossas idéias sobre crescimento populacional, medicina, psicologia, sociologia, política e religião?

Darwin e a Evolução em 90 Minutos
Paul Strathern
Este livro traz o percurso de Charles Darwin até chegar à sua teoria da evolução, que revolucionou a época, obrigando-nos a repensar nossa posição no processo evolutivo e a expandir nossos horizontes.




À Beira d'Água: macroevolução e a transformação da vida
Carl Zimmer
Numa bela combinação entre paleontologia, zoologia, anatomia comparada, genética, embriologia e evolução, o autor nos leva a conhecer mais de perto duas transições evolucionárias: a saída dos animais da água e a reversão de um ramo desses organismos de volta à água. A complexidade do ato de nadar, de ouvir dentro d'água ou da estrutura de pés e mãos, entre outros temas, são abordados de forma simples e direta, o que faz deste volume uma obra imprescindível para os estudiosos – ou simplesmente para os amantes – das teorias sobre a evolução das espécies.

Crick, Watson e o DNA em 90 Minutos
Paul Strathern
Um relato instigante de como Francis Crick e James Watson desvendaram a estrutura do DNA – mudando a história do século XX e da humanidade e levantando questões éticas e morais antes impensáveis.




A Caixa Preta de Darwin: o desafio da bioquímica à teoria da evolução
Michael Behe
A teoria da evolução de Darwin é em geral aceita pelos cientistas. Contudo, desde que Watson e Crick abriram o campo da bioquímica, a ciência vem vivendo um clima de frustração, tentando conciliar as descobertas espantosas deste campo moderno com uma teoria do século XX que não pode explicá-las. Com a publicação de A caixa preta de Darwin, é tempo de os cientistas se permitirem examinar novas e extraordinárias possibilidades, e de ficarmos de sobreaviso com o que vão descobrir.

Formigas em Ação: como se organiza uma sociedade de insetos
Deborah Gordon
Durante 17 verões, Deborah Gordon e sua equipe de pesquisadores enfrentaram o calor do deserto do Arizona para estudar o comportamento de... formigas! Com rigor científico e um texto bem humorado, este livro nos transporta para dentro de uma sociedade destes minúsculos insetos, e apresenta um novo e irrefutável panorama de como elas se organizam, esclarecendo por que isso é de nosso interesse. Ao subverter idéias preestabelecidas sobre a hierarquia das sociedades de insetos e focalizar padrões caóticos de comportamento – por exemplo revelando que a rainha não comanda nem administra a colônia, ou que as formigas não desempenham a mesma tarefa a vida inteira –, Deborah Gordon aponta o futuro da investigação científica. Audaciosamente, afirma que a comunicação entre as formigas é um modelo de como os cérebros, os sistemas imunes e o mundo natural como um todo se organizam. O livro é ainda enriquecido por desenhos e mapas originados da pesquisa de campo da autora, um trabalho tão diligente quanto seu objeto de pesquisa.


Livros de outras editoras:

AUTOBIOGRAFIA 1809-1882
Editora: CONTRAPONTO EDITORA
Texto integral da Autobiografia redigida por Charles Darwin (1809-1882) em seus últimos anos de vida. Publicada ao longo do tempo em várias línguas, porém não em português, todas as edições anteriores apareceram mutiladas, pois a família considerara impublicáveis as conclusões a que Darwin chegara, na maturidade, sobre as religiões em geral e, especialmente, o cristianismo. O cientista que alterou para sempre a compreensão que temos sobre nós mesmos aparece aqui em um despretensioso auto-retrato, da infância à velhice, refletindo sobre sua trajetória de vida, a influência do pai, os aborrecimentos na escola, a viagem no veleiro Beagle, a preparação de A origem das espécies e de seus outros trabalhos.

CHARLES DARWIN- A revolução da evolução
Rebecca Stefoff
Editora Cia das Letras
Pai da teoria do evolucionismo, Charles Darwin revolucionou a ciência no século XIX. Rebecca Stefoff parte da infância do cientista para explorar seu trabalho, sua vida e também toda a controvérsia que envolveu suas descobertas.




DÚVIDAS DO SR. DARWIN, AS- Um retrato do criador da teoria da evolução
David Quammen
Editora Cia das Letras
Entre desembarcar do navio Beagle e publicar A origem das espécies, em 1859, mudando para sempre a história da ciência, Charles Darwin recolheu dados, refletiu e sofreu por mais de vinte anos. Neste texto conciso e envolvente, David Quammen põe o homem e seu pensamento ao alcance de qualquer leitor.


GENE EGOÍSTA, O
Richard Dawkins
Editora Cia das Letras
Um dos livros mais aclamados da história da divulgação científica, ele não só apresenta a biologia evolutiva de forma acessível, mas acrescenta uma interpretação metafórica que inspirou gerações de biólogos e simpatizantes: somos máquinas de sobrevivência a serviço dos genes. Desde a sua publicação em 1976, foi traduzido para mais de 25 idiomas e sucesso de vendas pelo mundo todo. Um livro atual, que continuará a ser referência obrigatória para quem se interessa pela evolução da vida.

RELOJOEIRO CEGO, O- A teoria da evolução contra o desígnio divino
Richard Dawkins
EDitora Cia das Letras
O relojoeiro cego se tornou um marco da biologia moderna tão logo foi lançado, em 1986. Empenhado em conquistar novos adeptos para o evolucionismo e para o pensamento científico, Richard Dawkins faz aqui uma defesa vigorosa da visão darwinista e põe a nu as falácias polêmicas do criacionismo. Para o zoólogo, a síntese moderna entre as descobertas da genética e a idéia de seleção natural é capaz de fornecer respostas verificáveis e elegantes para o enigma das origens da vida e das espécies. Dawkins descobre exemplos criativos para explicar que, ao contrário do que tantas vezes se imagina, a seleção natural não ocorre por meio de combinações aleatórias: a sobrevivência é um jogo árduo, de regras estritas e definidas. A argumentação do autor faz crescer nossa admiração diante da diversidade da vida, ao mostrar de que maneira o processo de evolução - o "relojoeiro cego" do título - é capaz de produzir obras tão refinadas a partir de elementos tão simples.

Existem alguns outros títulos sobre a temática, mas constam como esgotados, inclusive A Origem das Espécies. Os textos das sinopses acima foram retirados dos sites das editoras.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Indicações #1: Uma Maçã por Dia

Aproveitando (e copiando) uma ideia do Rodrigo Cardoso (Ronoc) em seu blog O Queijo e os Vermes onde, com uma pequena citação, sugere a leitura de livros, vou passar a fazer algo parecido com livros que julgo importantes para o acervo de uma livraria e/ou por venderem bem.

O primeiro deles é Uma Maçã por Dia; lançado no final de setembro pela Zahar fechou o ano na marca dos 5 mil exs já vendidos. É um livro que pode ser lido aos poucos, sem pressa, e sem ordem pois, cada capítulo é objetivo e auto-suficiente.

O autor Joe Schwarcz é canadense e dá aulas de química com ênfase em nutrição e na aplicação cotidiana da ciência. Ganhou numerosos prêmios, sendo o único não-americano a receber o prestigioso Grady-Stack Award da Sociedade Química Americana. Tem outros cinco livros publicados e apresenta programas de rádio e tv sobre ciência e alimentação. No início de março a Zahar lançará mais um livro dele: Barbies, bambolês e bolas de bilhar: 67 deliciosos comentários sobre a fascinante química do dia-a-dia.

"Nenhum alimento isolado possui propriedades salutares mágicas. (...) O que realmente importa em termos de nutrição é o efeito líquido produzido por todas as substâncias químicas que penetram nosso corpo a partir dos alimentos que comemos. Sim, substâncias químicas. Posso imaginar as sobrancelhas se erguendo. Parece incomum ver a expressão ´substância química´ sem um adjetivo como ´venenosa´ depois." p.15

Realmente, comer é hoje bem mais complicado do que há alguns anos. O excesso de informação nos desnorteia; em meio ao fogo cruzado de "regras" muitas vezes contraditórias, não sabemos em quem acreditar. O prazer de comer parece ter sido substituído por preocupações com ingredientes, calorias, gorduras trans, modificações genéticas e contaminantes. Como nos guiar em meio a toda essa confusão? Como distinguir o que é mito e o que é verdade, o que tem base científica e o que é apenas mais um golpe de publicidade da indústria alimentícia? (tirado da ´orelha´do livro). Vale ressaltar que toda informação contida no livro tem por base experiências científicas.

Boa leitura e pode ler comendo chocolate, que faz bem. Veja na pág. 85.




De como chegamos a este estado de coisas

  Em 11 de janeiro de 2020 foi registrada, na China, a primeira morte por Covid-19. A população mundial hoje está na ordem dos 7,8 bilhõ...