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sexta-feira, 8 de junho de 2012

Concentração no mercado editorial brasileiro


A economia de um país é formada por cadeias produtivas. As cadeias são constituídas por setores. No caso do livro, os setores são os seguintes: autoral, editorial, gráfico, produtor de papel, produtor de máquinas gráficas, distribuidor, atacadista, livreiro, bibliotecário. A interface entre firmas/empresas de pelo menos dois desses setores forma um mercado. O senso comum para mercado do livro é constituído pelos setores editorial e livreiro, intermediado ou não pelo setor distribuidor.

Característica importante deste mercado é a falta de dados atualizados e com elevado grau de confiabilidade sobre produção, venda e consumo do livro. Desde 1991 a CBL (Câmara Brasileira do Livro) e o SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) patrocinam a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro. A partir de 2007 a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) da USP foi contratada e é a responsável pela pesquisa.

Entre novembro de 2010 e abril de 2011 a FIPE realizou a pesquisa O Censo do Livro (dados referentes a 2009). Seguem alguns números: existem no Brasil 498 editoras. A definição de editora é a da UNESCO: edição de pelo menos 5 títulos no ano e produção de 5 mil exemplares.

Com relação ao faturamento anual, temos a seguinte divisão:
231 editoras com faturamento anual até R$ 1 milhão (46,39%);
189 editoras com faturamento anual entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões (37,95%);
62 editoras com faturamento anual entre R$ 10 milhões e R$ 50 milhões (12,45%);
16 editoras com faturamento anual acima de R$ 50 milhões (3,21%).

Portanto, são essas editoras que disputam o mercado editorial brasileiro, que vem crescendo a cada ano. Em 2009, o valor total recebido pelas editoras foi de 4,16 bilhões de reais e, em 2010, aumentou para 4,50 bilhões de reais. Crescimento de 8,12%. Uma das explicações visíveis para este crescimento é que o valor médio recebido pelas editoras vem caindo desde 2004. O acumulado está em 34%. O valor médio recebido em 2009 foi de R$ 13,61 e em 2010 foi de R$ 12,94. Portanto, chega-se a um preço de capa médio de R$ 27,22 e R$ 25,88 respectivamente. O livro está com o preço ao consumidor, ao leitor, mais baixo a cada ano.

Esse faturamento tem origem nas vendas para mercado e nas vendas para governo.
Mercado em 2009: 3,25 bilhões de reais (78%);
Mercado em 2010: 3,34 bilhões de reais (74,31%). Crescimento de 2,99%.
Governo em 2009: 916 milhões de reais (22%);
Governo em 2010: 1,15 bilhões de reais (25,69%). Crescimento de 26,32%.

Mas, o que representa o mercado do livro na economia do país? Os números do PIB são a melhor comparação. O PIB brasileiro em 2009 foi de 3,143 trilhões de reais. Como o mercado do livro foi de 4,16 bilhões de reais, este nosso mercado representou 0,13% do PIB. Para 2010 os números foram: PIB 3,675 trilhões de reais. Mercado do livro de 4,50 bilhões de reais, o que representou 0,12% do PIB.
Outro dado interessante é a relação livro/habitante. A população do Brasil em 2010 era de 190.755.799 habitantes. Nesse mesmo ano foram vendidos, somente para mercado, 258.697.092 exemplares. Portanto, tem-se a média de 1,36 livro comprado por habitante. Há muito para crescer.

A metodologia da pesquisa divide o mercado em quatro grandes segmentos:
Didáticos
Obras Gerais
Religiosos
CTP – científicos, técnicos e profissionais
Considerando o faturamento total (mercado + governo), temos os seguintes dados:
Segmento
2009 fat R$
2010 fat R$
2009 exs
2010 exs
Didáticos
43,09%
46,65%
45,35%
46,27%
Obras Gerais
29,93%
25,92%
31,74%
30,88%
Religiosos
9,66%
11,02%
16,31%
16,92%
CTP
17,32%
16,41%
6,59%
5,93%

Outra característica do mercado é com relação ao número de lançamentos anuais, isto é, títulos em 1ª edição. Em 2009 foram 17.183 títulos e, em 2010, 18.712 títulos. Crescimento de 8,90%.
O ano tem 365 dias; excluindo-se 104 dias (sáb e dom) e 12 dias de feriados nacionais, sobram 249 dias. Se dividirmos o número de lançamentos por esses 249 dias temos a média de 69 novos títulos/dia em 2009, que aumenta para 75 novos títulos/dia em 2010. Livros demais?

Toda essa produção é comercializada através dos seguintes canais, cuja representatividade é:
Ano 2009
Canal de comercialização
Ano 2010
42,44%
Livrarias físicas + seu braço e-commerce
40,51%
23,78%
Distribuidores
22,55%
16,64%
Porta-a-porta
21,66%



82,86%
Sub-total
84,72%






2,91%
Supermercado
1,47%
2,32%
Igrejas e templos
1,26%
1,68%
Escolas e colégios
1,43%
1,41%
Editoras direto por e-commerce
1,54%
8,82%
outros
9,58%

O mercado do livro também acompanha uma das características da economia mundial: a concentração por meio de aquisições, fusões e joint-ventures. No Brasil começou pelas editoras, tanto nacionais quanto estrangeiras. (Não tenho como garantir que o levantamento abaixo é 100% preciso, mas é próximo disso. A quem tiver mais informações, agradeço que possam compartilhar).

A Guanabara Koogan (criada em 1932) começou as compras:
1994 a LTC (criada em 1968)
2007 a Forense (criada em 1904)
2007 a Método (criada em 1996)
2008 a Santos (criada em 1981)
2010 a Forense Universitária (criada em 1973)
2011 a EPU (criada em 1952)
2011 a Roca
2011 a AC Farmacêutica (criada em 2005)
Todas essas editoras estão sob a holding GEN – Grupo Editorial Nacional criado em 2007.

A Record (criada em 1942) também foi às compras e fez as seguintes:
1997 a Bertrand Brasil
1997 a Civilização Brasileira
1997 a Difel
2001 a José Olympio
2004 a Best-Seller
2005 joint-venture com a canadense Harlequim Books
2010 a Verus

A Saraiva comprou:
1998 a Atual
2000 a Renascer
2001 a Solução
2003 a Formato
2008 a ARX
2008 a ARX Jovem
2008 a Futura
2008 a Caramelo

A Ediouro comprou:
2002 a Agir
2004 a Relume-Dumará
2005 e 2007 a Nova Fronteira
2006 parceria com a Thomas Nelson
2007 a Nova Aguilar
2008 a Desiderata

A Sextante comprou:
2007 a Intrínseca (50%)

A Artmed comprou:
2009 a McGrae-Hill Education no Brasil

A IBEP/Companhia Editora Nacional comprou:
2010 a Conrad

Com relação às editoras estrangeiras, temos a seguinte cronologia:
Em 1976 a Elsevier (Holanda) entra no mercado nacional em parceria com a Campus. Suas compras foram as seguintes:
2002 a Alegro
2002 a Negócio
2005 a Impetus

Grupo Pearson (Inglaterra) entrou no mercado em 1996 e comprou a Makron Books no ano 2000.

Grupo Vivendi (França), em parceria com o grupo Abril comprou a Ática e a Scipione em 1999. Saiu do Brasil em 2004 e a Abril comprou a sua parte.

Grupo Prisa-Santillana (Espanha) entrou no mercado em 2001 com a compra da Moderna e da Salamandra. Em 2005 comprou 75% da Objetiva.

A Larousse (França) chegou em 2003 e, em 2007, comprou a Escala.

Grupo Planeta (Espanha) chegou em 2003. Em 2006 comprou a Academia da Inteligência.

Edições SM (Espanha) chegou em 2004.

Almedina (Portugal) chegou em 2005.

Penguin Books (USA) em 2005 fez uma joint-venture com a Companhia das Letras e, em 2011, comprou 45% do capital dessa editora.

Grupo Leya (Portugal) chegou em 2009. Em 2010 fez uma parceria com a Barba Negra. Em 2011 comprou a Casa da Palavra.

Thomson Reuters (USA) em 2010 comprou a editora Revista dos Tribunais.

Babel (Portugal) chegou em 2011.


A outra ponta da concentração está no setor livreiro. O marco divisório aconteceu em 2008 quando a Saraiva comprou o grupo Siciliano. Atualmente as principais redes de livrarias, com foco em obras gerais, são:
100 lojas, a Saraiva. Base São Paulo. Dessas, 46 são megastores. As outras 54 lojas (54%) representam apenas 14% de seu faturamento anual;
32 lojas, a Leitura. Base Minas Gerais;
20 lojas, a Livrarias Curitiba. Base Paraná;
13 lojas, a Cultura. Base São Paulo (abrirá mais 4 lojas ainda em 2012);
11 lojas, a Fnac. Base São Paulo;
7 lojas, a Travessa. Base Rio de Janeiro;
6 lojas, a Livraria da Vila. Base São Paulo (abrirá duas lojas em 2012 e mais 2 em 2013).

Esta concentração nas livrarias de rede também é facilitada pela migração do comércio em geral para os shoppings que, como têm um custo elevado para a manutenção de uma loja, viram uma barreira de acesso para as livrarias como menor capital. No ano 2000 o Brasil tinha 280 shoppings. Fechou 2011 com 430 shoppings (+ 53,57%). Em 2012 serão mais 43 e, por enquanto, estão previstos mais 31 para 2013. Para se ter uma ideia da força deste novo local de consumo, de compras, circulam nos shoppings 376 milhões de pessoas por mês. A população do Brasil é de 191 milhões de pessoas. Impressiona, não?

Não existe uma pesquisa confiável com relação ao número de livrarias existentes no Brasil. A ANL – Associação Nacional de Livrarias fez em 2009 um primeiro levantamento através de questionários enviados a diversos pontos de venda de livros, e chegou ao número de 2.980 “livrarias”. Livraria para a ANL é “uma empresa que oferece um bom acervo de livros em seu mix de produtos para venda.” Portanto, essa definição é muito vaga em relação ao censo comum de livraria. Talvez fosse melhor usar como parâmetro o número de exemplares no acervo de cada “livraria”. Por exemplo, acervo mínimo de 10% da produção anual de novos títulos em 1ª edição, o que, em relação à produção das editoras em 2010, seria de 1.871 exemplares por loja.

No levantamento de 2011 da ANL o número de livrarias chegou a 3.481. Como o país tem 5.564 municípios, além do Distrito Federal, teríamos a média de 0,63 livrarias por município. É claro que a distribuição dessas livrarias pelo território brasileiro acompanha a economia e a escolaridade de cada região geográfica. Os dados são os seguintes:
52,54% das livrarias na região Sudeste;
21,00% das livrarias na região Sul;
16,83% das livrarias na região Nordeste;
6,18% das livrarias na região Centro-Oeste;
3,45% das livrarias na região Norte;

A concentração nos diversos setores da economia do livro avança e fica maior a cada ano. Onde os livros serão vendidos em 2015?

sábado, 26 de maio de 2012

As livrarias em um novo mercado e o preço único do livro


Com a divulgação em 15 de Maio de 2012 por parte da Associação Nacional de Livrarias, a ANL, do Levantamento Anual do Segmento de Livrarias feito junto a suas associadas para identificar o comportamento do setor livreiro em 2011, veio à tona, mais uma vez, a questão da “Lei do Preço Único do Livro”, dos descontos concedidos nos lançamentos, da concentração do mercado e do fechamento das pequenas livrarias.

Mais uma vez a tábua de salvação mencionada nas entrevistas é a “Lei do Preço Único do Livro”. O que é isso? De forma resumida, é o seguinte: durante um determinado período de tempo após o lançamento de um livro (seis meses ou um ano, por exemplo) não poderiam ser concedidos descontos na venda desse livro para o consumidor final, o leitor. No máximo, algo entre 5% e 10%.

Alguns pontos a serem observados: isso é legal, do ponto de vista da Lei? O que o consumidor final, o leitor, vai achar de não poder comprar mais esses livros com desconto?

Pesquisando na Lei maior, a Constituição, o Título VII trata da Ordem Econômica e Financeira e o capítulo 1 dos Princípios Gerais da Atividade Econômica. A seguir vem o artigo 170 que dispõe o seguinte:
“A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, (...), observando os seguintes princípios:
(...)
IV – livre concorrência
V – defesa do consumidor

Pesquisando um pouco mais cheguei ao CADE, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, que pela Lei 8.884 de 11/06/1994 foi transformado em Autarquia. Essa Lei é conhecida como Lei antitruste e Lei antidumping. Seu artigo inicial diz o seguinte: “Art. 1º Esta lei dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica, orientada pelos ditames constitucionais de liberdade de iniciativa, livre concorrência, função social da propriedade, defesa dos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico.” (grifos meus)


Segue a definição do conceito de livre concorrência exposto na página do CADE:
“Livre concorrência
O princípio da livre concorrência está previsto na Constituição Federal, em seu artigo 170, inciso IV e baseia-se no pressuposto de que a concorrência não pode ser restringida por agentes econômicos com poder de mercado. Em um mercado em que há concorrência entre os produtores de um bem ou serviço, os preços praticados tendem a se manter nos menores níveis possíveis e as empresas devem constantemente buscar formas de se tornarem mais eficientes, a fim de aumentarem seus lucros. Na medida em que tais ganhos de eficiência são conquistados e difundidos entre os produtores, ocorre uma readequação dos preços que beneficia o consumidor. Assim, a livre concorrência garante, de um lado, os menores preços para os consumidores e, de outro, o estímulo à criatividade e inovação das empresas. “

Apesar de leigo em Direito, entendo que é contra a Constituição a existência de uma lei que proíba descontos e que, portanto, também iria contra o interesse do consumidor que é o de obter, sempre, o menor preço em qualquer aquisição.

A grande questão é que o mercado do livro, no que diz respeito à comercialização, mudou. Em 1455 Gutenberg comercializou o primeiro livro impresso com tipos móveis de metal no Ocidente, a Bíblia. Depois, na prática, estabeleceu-se que o editor publica o livro e o distribuidor e as livrarias formaram uma cadeia de distribuição para a venda do livro para o leitor. Essa estrutura permaneceu por muito e muito tempo, até que, 540 anos depois, em 1995 a Amazon começou a venda de livros pela internet. No Brasil, também em 1995 (setembro), a Livraria Cultura foi a primeira a perceber que mudanças estavam no ar e começou sua operação nesse novo canal. Esse foi o primeiro marco divisório, a grande quebra de paradigma; o segundo será o “livro digital” e, mais em particular, sua comercialização, mas isso fica para outro post.

O mercado do livro também acompanha uma das características da economia mundial: a concentração por meio de fusões, aquisições e joint-ventures. No Brasil, o processo de concentração consolida-se em 2008, quando a Saraiva comprou a Siciliano. Com esse fato, outras livrarias como Cultura, Fnac, Travessa, Vila, Curitiba, Leitura etc, que já vinham abrindo lojas, tiverem que acelerar o ritmo.

Concomitante a isso, mas tendo início lá no final do séc xx, o comércio em geral começou o processo de migração para os shoppings. Como são espaços comerciais que têm custos maiores, isso contribui, mais ainda, para o processo de concentração. No ano 2000 existiam no Brasil 280 shoppings. Em 2011 já eram 430 (crescimento de 53,57%). Neste ano de 2012 devem ser inaugurados mais 43 e outros 31 já estão previstos para 2013. Circulam por mês, em média, em todos estes shoppings 376 milhões de pessoas. A população do país é de 191 milhões de pessoas. Portanto, grande parte do público comprador circula nos shoppings e, é claro, compra nos shoppings. As livrarias que lá não estão, principalmente as menores, vão perdendo faturamento a cada ano, salvo raras exceções.

É um cenário assustador para as pequenas livrarias? É sim. Estão sendo pegas de surpresa? Entendo que não, pois lá se vão mais de 15 anos quando os sinais e os exemplos de novas formas de comercialização do livro começaram a aparecer. Na verdade não foram se preparando e não investiram em atendimento, serviços e, principalmente, na internet, no e-commerce. Eu mesmo venho escrevendo aqui sobre a importância do e-commerce para o mercado do livro desde 2009.

Ainda existe chance de sobrevivência para as pequenas livrarias? A resposta é SIM, mas, a cada ano que passa, isso será mais difícil. E a saída, com certeza, não é uma “intervenção” do governo para controlar preços finais de venda ao consumidor. As livrarias estão no mercado de varejo, e varejo é um processo dinâmico. Portanto, não dá mais para ficar atrás do balcão esperando o cliente entrar na loja. Há que se ir até ele. O melhor caminho e o mais rápido é pela web.

sábado, 10 de julho de 2010

2010 Será o Início do Fim das Pequenas Livrarias?

Para quem ainda não se deu conta, 2010 ficará marcado na história do mercado do livro no Brasil, como o ano no qual a concentração no mercado livreiro (livrarias), chegou a um ponto irreversível, isto é, daqui para a frente a concentração da venda de livros aumentará, e muito, nas livrarias de redes, ano após ano. Alerto também que, caso não seja mudado nada no atual dia-a-dia das pequenas livrarias, para aquelas que têm uma única loja e que também não estão na web, 2010 poderá ser considerado como o ano do início do seu fim, do seu "fechar as portas", e isto num prazo de até cinco anos. Sempre existirá uma ou outra exceção, mas a tendência é o fechamento.

Partindo da premissa que não sou "maluco" e/ou "vidente", que dados tenho eu para fazer as afirmações acima? Voltando um pouco no tempo, em agosto de 2007 a Saraiva anunciou (é obrigada a fazê-lo por ter ações na Bolsa de Valores) que estava em negociações para a compra da Siciliano. Naquele ano de 2007 a posição de algumas das principais redes de livrarias era a seguinte:
com 63 lojas, a Siciliano, sendo 52 próprias e 11 franqueadas;
com 36 lojas, a Saraiva;
com 7 lojas, a Cultura;
com 7 lojas, a Fnac.

Além destas, outras redes também estavam em processo de expansão, como a Travessa no Rio, a Livraria da Vila em São Paulo, a Livrarias Curitiba na região Sul e a Leitura em Minas Gerais. No dia 6 de março de 2008 foi feito o anúncio da compra da Siciliano pela Saraiva que, portanto, passou a ter 99 lojas. Coincidência ou não, o processo de expansão das outras redes foi acelerado. A Livraria Cultura vinha abrindo uma loja por ano desde 2003 (Porto Alegre). Abriu Recife em 2004, Brasília em 2005, Market Place em São Paulo em 2006, a grande loja do Conjunto Nacional (4.300m²) em 2007. Em 2008 houve a aceleração com a abertura da loja em Campinas, da loja customizada da Cia das Letras no Conjunto Nacional e da loja do shopping Pompeia também em São Paulo. Em 2009 foi aberta a loja na Villa Daslu, além de mais duas lojas customizadas no Conjunto Nacional: IMS-Instituto Moreira Sales e Record. Em 2010 já foram abertas uma loja em Brasília (a 2ª, portanto) e outra em Fortaleza. Em agosto próximo mais uma loja da Cultura será inaugurada, agora em Salvador.

A Fnac estava com o processo de expansão parado em 2006, quando abriu no shopping Morumbi em São Paulo. Voltou a abrir lojas em 2008 em Porto Alegre e em 2009 em Ribeirão Preto, SP. Em novembro de 2010 abrirá em Belo Horizonte, no BH shopping.

A própria Saraiva não ficou acomodada e em 2009 reformou 30 lojas da bandeira Siciliano. Além disso, entre 2009 e 2010 abriu (abrirá) mais 11 lojas, como por exemplo em Manuas, Salvador, Caxias do Sul e Vitória. Como algumas das lojas da bandeira Siciliano foram fechadas, por serem deficitárias ou por estarem em espaço físico próximo demais das da bandeira Saraiva, o total de lojas neste momento da Saraiva é de 100, sendo 92 próprias e 8 franqueadas.

O que chama atenção na expansão relatada acima é que todas as lojas foram abertas em shoppings. Fica claro que não é uma mera coincidência e, sim, uma tendência do mercado varejista que tem (terá) consequências gigantescas para o mercado do livro no Brasil. Seguem alguns números relativos aos shoppings no Brasil.

No ano 2000 existiam 280 shoppings em atividade. Em 2009 o número chegou a 396 shoppings, o que é um crescimento de 41,43%. Em número de lojas o crescimento é bem mais elevado: de 34.300 lojas no ano 2000, para 70.436 lojas em 2009. Aumento de 105,35%. Um dado mais impressionante é este: a circulação média de pessoas nos shoppings por mês em 2009 foi de 348 milhões. Para comparação, a população do Brasil em 2009 era de 190 milhões de pessoas.

Para este ano de 2010 estão previstos 17 shoppings e para 2011 a previsão é de mais 26. Portanto, fica clara a migração do comércio varejista para os shoppings. O problema, no caso das pequenas livrarias, é que o custo de manutenção de uma loja em shopping é elevado demais para o seu perfil. Logo, a cada shopping que abre, mais uma loja das principais redes é inaugurada nesse espaço privilegiado de comércio e, assim, a cada mês, os clientes das pequenas livrarias tenderão a comprar nas livrarias dos shoppings, minando pouco a pouco, e de forma irreversível, a existência da pequena livraria.

Para o caso de alguém ainda ter dúvidas sobre o relatado acima, mais alguns dados:
Saraiva tem 66 das 100 lojas em shoppings: 66,00%
Leitura tem 22 das 26 lojas em shoppings: 84,62%
Curitiba tem 13 das 17 lojas em shoppings: 76,47%
Cultura tem 10 das 11 lojas em shoppings: 90,91%
Fnac tem 7 das 9 lojas em shoppings: 77,77%

No caso da Saraiva, por ter ações em Bolsa de Valores, é possível ter acesso a dados sobre o faturamento. E esses dados mostram bem a importância do shopping. Das 100 lojas, 37 delas são megastores. Essas megas representaram 47% do faturamento da Saraiva. Resumindo, 37% das lojas físicas representaram 47% do faturamento. Mais um dado fundamental: 33% do faturamento veio da ponto.com da Saraiva. Somou? É isso mesmo: 80% do faturamento da Saraiva provém das megastores (que estão nos shoppings, com uma exceção, no Rio) e da internet.

Vivemos um momento em que cada editora e cada livraria tem que repensar seu negócio, sob pena de ser excluído do mercado do livro. A era da profissionalização bate à porta diariamente e não é mais possível continuar a trabalhar do mesmo modo que se trabalhava no fim do século passado. Os exemplos de fechamento de livrarias são noticiados com frequência no PublishNews. A mais recente foi a Livraria Alemã, com 60 anos de história em Blumenau. Uma loja bem grande, mas fora do shopping.

Fica portanto o alerta e a esperança que as pequenas livrarias ainda tenham tempo para se reinventar. Um dos caminhos é a internet. É necessário que tenham páginas virtuais interessantes e interativas com seus leitores/clientes. Que participem nas comunidades sociais de relacionamento. É preciso ir em busca do cliente onde ele estiver, e não ficar esperando que ele entre na sua loja. Os novos clientes até existem, mas e os novos livreiros? O que é ser um novo livreiro? É uma questão de idade ou de atitude?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Entrevista de Pedro Herz, da Livraria Cultura, à Folha de São Paulo

Reproduzo abaixo a entrevista de Pedro Herz à Folha de São Paulo publicada em papel e na internet, inclusive com o link para a página da Folha. Na entrevista Pedro Herz fala de alguns pontos importantes para o mercado do livro e que merecem ser pensados e debatidos.

Crédito da foto: Karime Xavier/Folha Imagem

Destaco os seguintes pontos sobre os quais, inclusive, já emiti opinião neste blog:
01-o livro digital não é e, não será, uma ameaça ao livro impresso;
02-a importância da venda pela internet; é a segunda loja da Cultura;
03-a migração do comércio para os shoppings;
04-a deficiência do ensino e a não formação de leitores em quantidade é que são a ameaça ao comércio do livro;
05-falta de profissionalização no negócio do livro;
06-a visão de buscar fidelizar clientes e, não, simplesmente, vender livros.

21/02/2010 - 07h42 Folha online

Ameaça ao livro não é e-reader, mas falta de novos leitores, diz dono da Livraria Cultura

FABIO VICTOR da Folha de S.Paulo

Numa viagem recente a Nova York, o dono da Livraria Cultura, Pedro Herz, fez um teste: ao andar de metrô pela cidade, observou quantos passageiros portavam e-readers. Em dez dias, encontrou um único leitor com o novo equipamento.

Herz diz já ter visto burburinho semelhante em outros tempos, avalia que tudo não passa de "uma nuvem" e atribui tanto barulho à sede da indústria eletrônica por escoar os novos produtos que cria em velocidade incontrolável. A ameaça real ao futuro do livro, opina, é ausência de novos leitores entre os jovens.

Apesar do ceticismo quanto à nova coqueluche do mercado, ele informa que em março a Cultura passará a vender 150 mil títulos de e-books em suas lojas.

Neste ano, a rede, que tem nove unidades (cinco em São paulo e as outras em Campinas, Recife, Porto Alegre e Brasília), abrirá mais três: Salvador, Fortaleza e uma segunda na capital federal. Com mais de 3 milhões de títulos em catálogo e 1.400 funcionários (serão mais 400 para as três novas lojas), a Cultura teve faturamento de R$ 274 milhões em 2009, crescimento de 18% em relação a 2008.

Segundo Herz, está mantida a decisão de pôr fim à empresa familiar na terceira geração (ou seja, a de seus filhos) e de abrir em breve o capital. Por ora deu apenas o primeiro passo, se associando no ano passado ao fundo de investimento Capital Mezanino. O fundo tem hoje 16% da empresa e família Herz, 84% --Pedro é o presidente do Conselho de Administração.

Leia a seguir a entrevista que ele deu à Folha num restaurante paulistano.

Folha
- Quando a internet surgiu como uma ameaça ao mercado de livros, você começou antes a vender online. Agora, que o livro eletrônico paira como ameaça ao livro de papel, o que a Cultura vai fazer?
Pedro Herz
- Em março vamos disponibilizar 150 mil títulos em formatos para e-readers. Eu acho que é uma opção a mais para o leitor. Não vamos vender o hardware, só conteúdo. Os formatos são tantos que pode ser que você compre num formato que o seu leitor [equipamento] não leia. A Amazon fez isso com o Kindle, se você comprar um e-book na [livraria] Barnes & Noble e tem um Kindle, não conseguirá ler. Foi um tiro no pé da Amazon, obrigar o leitor a comprar no seu formato. É o carregador de celular que só serve no seu, uma ideia totalmente superada. Os formatos são vários, dependerá de como cada editora vai digitalizar seus livros. Vai ser uma barafunda, porque se você tem um formato e teu e-reader não lê, onde o leitor vai reclamar? É o que está acontecendo um pouco nos EUA, com a MacMillan e a Amazon, mas pela guerra de preços [por discordância sobre o valor dos livros, títulos da editora foram retirados do catálogo da Amazon, mas depois elas chegaram a acordo].
Não sei bem, está tudo muito cru, muito no início, e não sei bem como serão as vendas. Acho que bem pequenas.
Acho o e-reader uma ferramenta fantástica, mas daí a virar o substituto do livro... Já vi esse filme antes, já vi o VHS chegar e dizer que ia acabar com o cinema. Já vi, na Feira de Frankfurt, dizerem que o mundo ia virar CD-ROM, e o mundo não virou CD-ROM. Dois anos depois não se falava nisso, as editoras me falavam: "Pô, perdemos um dinheirão, admitimos um monte de gente e não deu em nada". A sensação que eu tenho é que a gente está vendo uma nuvem, que vai passar. Pode ser que chova, mas, num curto prazo, não vai acontecer nada.

Folha - O sr. tem e-reader, usa para ler?
Herz - Não, tem um monte na livraria, mas eu não uso.

Folha - E tem um monte para quê?
Herz - Pra conhecer. Eu estive em Nova York há pouco, passei dez dias, e fiquei muito atento a quantas pessoas eu ia ver lendo em e-reader. Gastei mais de US$ 80 em metrô, pra cima e pra baixo. Se eu te disser que vi um único cidadão com um na mão, você acredita? Em dez dias em Nova York, andando de metrô, onde todo mundo lia --ou uma revista, ou um jornal ou um livro--, eu vi uma pessoa com um e-reader. Um detalhe que me chamou a atenção foi que esse leitor lia segurando o aparelho com as duas mãos, e as pessoas que liam livros usavam uma mão apenas. São coisas interessantes. Dos leitores que entrevistei informalmente nas livrarias, 100% disseram que não vão trocar.

Folha - Em que medida o rebuliço em torno do e-reader se deve ao poder de marketing da indústria eletrônica?
Herz
- Não só o marketing é tão forte como a indústria, qualquer indústria, tem necessidade de criar modelos novos, seja do que for, e escoar os modelos novos. E existem coisas paradoxais: todo mundo trabalha para ter mais tempo de lazer, aí chega a indústria e desenvolve um computador que é um centésimo de milésimo de segundo mais rápido do que aquele que você tem e tenta te convencer a comprar o desgraçado. Peraí, mas se eu quero ter mais tempo, por que meu computador tem que ser Fórmula 1? Eu não tenho certeza se as pessoas querem essa velocidade toda. Eu troco de carro a cada cinco anos, e sou um cara que ando pouco, quando compro um carro algum amigo já diz: "Esse carro é meu quando você vender". Se você me perguntar por que que eu troquei, eu não sei te responder direito.

Folha - Qual a principal desvantagem do livro de papel?
Herz - Imagina um advogado que vai fazer uma audiência no Acre e tem que levar aquela papelada do processo. Um editor de uma grande editora de livros, que recebe 50 livros novos por semana de todo mundo, para resolver se vai publicar ou não, ter isso digitalizado e num voo de 12 horas para a Europa ir dando uma olhada no que interessa ou não. É de uma utilidade fantástica, mas não sei se é a melhor ferramenta para o leitor de livros. E tem outra pergunta que eu faço: fará novos leitores? Quem não lê livro de papel, não vai passar a ler por causa do livro eletrônico. Eu não sei como reagirão os que estão na maternidade.
Acredito que quem faz leitor são os pais, inegavelmente. Os jovens leitores são filhos de leitores. Dificilmente aparece uma criança ou adolescente que não tenha os pais leitores. A grande campanha que na minha opinião deveria ser feita pelo governo é mais ou menos assim: "Se você não lê, como quer que seu filho leia?". Essa é a pergunta que deve ser feita. Porque os meus filhos "liam" sem ser alfabetizados, pegavam o livro na mão para imitar os meus gestos.

Folha - As vendas de livros pela internet representam quanto do total de vendas da Livraria Cultura?
Herz
- É a nossa segunda loja. A primeira é a da Paulista. [As vendas pela internet] representam 16% do faturamento [em 2009].

Folha - Esse índice vem crescendo nos últimos anos?
Herz - Vem, mas as vendas das lojas físicas também.

Folha - Proporcionalmente, qual cresceu mais?
Herz - Não tenho a informação, teria de separar isso, ver quanto a internet cresceu sem abertura de lojas. Vi uma coisa interessante: abri uma loja em Brasília, que vai super bem. A [venda pela] internet na região fez isso [faz com a mão gesto de subida]. É de alguma forma um símbolo de segurança para o comprador. E muita gente usa a internet para pesquisa, e realiza a compra fisicamente. É muito comum você ver o cara chegar na livraria com o que ele imprimiu na internet.

Folha - Li numa reportagem, com dados da Associação Britânica de Livreiros, que houve uma queda de 27% no número de lojas de rua em dez anos no Reino Unido --só em 2009 foram fechadas 102 lojas. É uma tendência inevitável também no Brasil? O sr. tem dados?
Herz
- São dados poucos confiáveis, não são representativos do mercado. Nós não somos sócios de nenhuma das entidades de classe. Os números de consumo de livros divulgados no Brasil embutem compras do governo, e eu não sei se são confiáveis.

Folha - Mas uma pesquisa de 2009 encomendada por CBL (Câmara Brasileira do Livro) e Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) fazia a separação entre essas compras...
Herz
- Eu não sou fornecedor do governo, não sei se o governo comprou mais ou menos, tenho que acreditar naquilo que dizem. Acho que falta nesta pesquisa um ingrediente que, não sei por que razão, fica fora, que é o fabricante de papel. Quanto foi vendido para publicar livro, que é isento de imposto. Os fabricantes de papel concordam com esse aumento? Houve um aumento de quantas toneladas de papel para livro? Eu não sei.

Folha - Mas o fechamento das chamadas livrarias de rua parece inexorável, as lojas novas que a própria Livraria Cultura abrem são todas em shoppings...
Herz
- É, tem uma série de componentes. Por que se prefere o shopping? Por que é mais seguro, facilidade de estacionar. São poucas lojas de rua que oferecem essa comodidade. Numa cidade como São Paulo, onde o transporte público é ruim, você tem que andar não sei quantas quadras para deixar o carro numa loja de rua, o medo toma conta, os pais não deixam os filhos, isso no Brasil. Em Nova York ou Londres é um pouco diferente.

Folha - Como a crise de 2008/2009 atingiu o mercado?
Herz - O mercado eu não sei, a nós não atingiu. Nós crescemos legal, 18%. Acho que a solução continua nos livros, então as pessoas começaram a ler, procurando explicações [para a crise], porque não aconteceu nada de novo, nós já vimos isso outras vezes.

Folha - O sr. vê algum novo nicho a ameaçar as vendas de livros nas livrarias?
Herz - A grande ameaça que existe é a não-formação de novos leitores. As famílias [ricas] que tinham cinco filhos há um século, hoje ou não têm nenhum ou têm um, no máximo dois. O número de leitores cresce pouco, se é que cresce. Se você pegar o universo da classe D, esse pai não tem orgulho nenhum do que faz, nem a mãe. Então a compra de um lápis significa para ele um investimento na educação de um filho. Acho isso extremamente bacana, é um raciocínio válido, mas sabemos que é insuficiente. O apagão do ensino taí, a dificuldade que temos de admitir gente é homérica. A gente aplica testes básicos dos básico de conhecimentos gerais razoáveis. A gente quer que o candidato leia jornais, uma revista, que seja atualizado. Você pergunta para ele quem escreveu "Dom Casmurro", metade levante e vai embora. E são todos universitários formados. E não sou o único que tem esse tipo de problema. Falei com outros empresários, de outras áreas, que têm exatamente o mesmo problema. Gente que não encontra engenheiros, que não encontra médicos. Veja o resultado do Enem. Está difícil acreditar. Esse crescimento anunciado é sustentado? Ou é um momento de paternalismo que está aí? Estou procurando gente [para as lojas] no Nordeste, tem gente que não quer ser registrada. Perguntamos por que, e dizem: "Ah, porque eu recebo a Bolsa [Família], minha mulher recebe a Bolsa. E a população cresce nesses lugares do Nordeste. E gente esclarecida que pode ter filhos está tendo cada vez menos, se é que está tendo. Conheço casais de amigos, leitores, muito bem casados, felizes, que preferiram não ter filhos.

Folha - O aumento da oferta de livros nos supermercados e expansão do comércio de livros usados online, por exemplo, podem ameaçar as vendas nas livrarias?
Herz
- Minha mãe começou a livraria achando que muito livro valia a pena ser lido e não ser comprado. Ela começou alugando livro. Sou francamente favorável ao comércio de livros usados. E há espaço para todo mundo. A rua da Consolação está cheia de loja de lustres. Peraí, o Brasil é muito grande. Sou francamente favorável. O que eu condeno é que um irmão mais novo não possa aproveitar o livro do irmão mais velho na escola. O que é que mudou na aritmética e na geografia? Por que tem que jogar fora esse livro. Hoje o governo até faz uma campanha para o aproveitamento [do livro didático], extremamente salutar, mas não é só. Por que o livro novo tem que ter um leitor por exemplar? Não tem biblioteca. Um livro, um leitor, é pouco.
Supermercado não me afeta em nada. Eu acho que contribui para a formação do leitor. Eu não quero fazer uma venda, eu quero um cliente. Se ele começar a gostar de ler, o próximo passo daquele que comprou um livro no supermercado será a livraria.

Folha - O que achou da Biblioteca de São Paulo, cujo modelo foi inspirado, segundo a Secretaria Estadual de Cultura, em livrarias tipo megastores?
Herz - O [secretário estadual de Cultura, João] Sayad me falou que eles se inspiraram muito no modelo da [Livraria Cultura da avenida] Paulista, que é um local onde as pessoas ficam. Fiquei orgulhoso. É possível criar um lugar onde as pessoas se entretêm, têm opções para aprender e ver alguma coisa de concreto. A coisa mais bacana que achei é que ela vai funcionar nos fins de semana. Gente, o Brasil é o único país em que as bibliotecas fecham no fim de semana, quando os pais podem levar os filhos.

Folha - Por que a Livraria Cultura resiste a entrar nas entidades de classe?
Herz - Não vejo o porquê. Não vejo muito sentido para as entidades de classe em meu ramo. Não acredito muito no que eles estão fazendo ou fizeram em benefício [do setor].

Folha - Já sofreu represália por isso?
Herz
- Não, nunca sofri. E nós nos falamos, numa boa, com a Câmara [Brasileira do Livro], a ANL [Associação Nacional de Livrarias], o sindicato [nacional de editores de livros, o Snel]. A relação é muito cordial. Mas não participo de reuniões, nem de feiras, nem de bienais. Acho que qualquer feira é um lugar de plantio, não de colheita. E as bienais são de colheita, mas é impossível colher alguma coisa na bienal. Todo mundo diz que perde dinheiro. Então está na hora de repensar esse modelo.
E tem coisas de que a indústria não tem interesse. Por que o livro do irmão mais velho não pode ser aproveitado pelo mais novo?

Folha - Numa entrevista em 2006, o sr. afirmou que a indústria editorial era defasada, não tinha visão e não tratava o livro como negócio. Permanece assim?
Herz - Bastante. Quando comecei [a vender livros] na internet [em 1995], a gente desenvolveu um software para as editoras nos mandarem os seus catálogos num formatinho já pronto, txt, com informações básicas (autor, título, sinopse), para alimentar a internet. Se eu te disse que zero respondeu. Tive que fazer tudo eu. Para divulgar o livro de uma editora xis. Ninguém viu o potencial da internet do qual falo há 15 anos. Está tudo pronto lá, autor, página, preço, medidas. Não quero informação confidencial, quero informação que eu não tenha que sacar funcionários para fazer uma coisa que já está pronta. Hoje uma grande queixa dos internautas é a falta de resenhas [sinopses] dos livros. Eu que tenho que fazer a resenha do livro que você editou? Pô, me entrega isso pronto, amigo. Muitas mandam, mas muitas não.

Folha - Qual o cronograma de abertura das novas lojas?
Herz
- Brasília será a primeira, entre abril e maio. Fortaleza está marcado para 19 de maio. E Salvador em julho. Estamos procurando um lugar no Rio de Janeiro, mas está dificílimo. Não acho lugar, não tem um espaço. O Rio tem uma geografia que não nos ajuda. O problema de espaço é tão complicado que um prédio encosta no outro. Tenho que chegar ao Rio com a mesma identidade, não posso chegar com um posto de serviços. Preciso de pelo menos 1.800 m2, com um pé direito que permita um mezanino. Não acho nem para discutir o valor.

Folha - De início o sr. resistiu a vender outros produtos e virar megastore. O que mais poderá ser agregado às vendas nas suas lojas?
Herz - Chegamos à conclusão de que o leitor também ouve música e vê filme.

Folha - Mas, por esse raciocínio, esse mesmo leitor assiste a TVs de plasma, compra aparelhos eletrônicos... Significa que outros produtos poderão ser vendidos também?
Herz
- Dessa linha não.

Folha - Então de que outra linha?
Herz
- Não sei. Temos alguma coisa de produtos educativos, uma pequena parte de Lego. E começamos uma pequena coisa agora [no final do ano passado] com games, mas não hardware.

Folha - Em relação ao caso do cliente que foi atacado [na cabeça com um taco de beisebol por um homem] dentro de uma loja da Livraria Cultura em dezembro passado, o que mudou para vocês?
Herz
- [estende um exemplar do último número da Revista da Cultura] É o meu editorial. [Herz se refere ao episódio como o "triste dia 21 de dezembro", no qual "Um cliente e nós fomos violenta e covardemente agredidos. É assim que me sinto". Diz que o caso é "muito revelador sobre o mundo em que vivemos, sobre a legislação que nos rege (aparentemente um doente mental reincidente que estava à solta e só agora, que agrediu uma vida, e não algo material, foi detido)". "Quantos doentes mentais estão na rua agredindo pessoas... E o que fazer? A resposta eu não tenho. Só reflexões e pesar."]

Folha - Há algo que possa ser feito para evitar casos como esses?
Herz - Tem, com relação à lei. Ele já tinha quebrado os vidros da livraria [um ano antes], e o delegado soltou ele meia hora depois. Para agir contra ele [na época], eu teria de abrir um processo. Só que ele não fala uma frase emendada na outra, é um doente mental, é louco. Então o Estado não cuida do doente mental. A ideia de abolir o manicômio foi para que a família tomasse conta, mas a família aí se dá conta que dá muito trabalho e que custa dinheiro, e abandona o cara, que fica solto, até fazer o que ele fez. [Segundo Herz, o agredido continuava em coma à época da entrevista, e o agressor permanecia detido por tentativa de homicídio].

Folha - Vocês modificaram algo na segurança das lojas?
Herz - Não há o que mudar. Entre a entrada do cara na livraria e a agressão passaram-se menos de dois minutos. O delegado falou que se as imagens da agressão vazarem na internet, esse preso corre risco de vida, porque ele agride de uma maneira tão violenta e tão covarde que os presos não toleram isso. O cara está agachado olhando o livro numa estante embaixo, ele vem por trás e mete o taco na cabeça do cara. Ele entrou sem nada na mão, só com o taco e o facão dentro da mochila, de boné, bermuda...

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Mercado do Livro no Brasil

Fui convidado a participar como palestrante de uma das mesas do Livre-se: I Simpósio do Livro da UFRJ realizado entre os dias 27 e 29/10/2009 na Biblioteca Nacional. Na bonita definição do evento: "Alguns livros são como paixões: transformam o amante e a mente. Já os amores são complacentes: não nos aborrecem com exigências sisudas de fidelidade. O amor do livro é livre. Aspecto fundamental de qualquer relação amorosa é o diálogo."

A seguir, a palestra que fiz no evento sobre o Mercado do Livro no Brasil, tendo por base dados relativos ao ano de 2008.

O livro é uma das cadeias produtivas da economia. A cadeia produtiva do livro é constituída pelos seguintes setores:
- Autoral
- Editorial
- Gráfico
- Produtor de papel
- Produtor de máquinas gráficas
- Distribuidor
- Atacadista
- Livreiro
- Biblotecário

A interface entre dois destes setores forma um mercado. O mercado do livro é composto, basicamente, por dois conjuntos de relações:
- editor / livreiro, permeado ou não por distribuidores e atacadistas
- varejista / consumidor final; consumidor final pode ser pessoa física ou biblioteca

Mas, qual é o tamanho deste mercado do livro no Brasil? Em faturamento, no ano de 2008, apurou-se o valor de 3,30 bilhões de reais (3.305.957.488,25). Na divisão entre vendas para mercado e vendas para governo, temos a seguinte:
- mercado: 2,43 bilhões de reais (2.436.606.207,66)
- governo: 869,35 milhões de reais (869.351.280,59)

Para maior visibilidade, o faturamento para mercado representa 73,70% e para governo 26,30%. Mesmo assim, para se ter uma boa noção do que representa este mercado do livro em termos econômicos, há que se fazer mais uma comparação; neste caso, a melhor comparação é com o PIB do país. Mas o que é PIB?

"Principal indicador da atividade econômica, o PIB - Produto Interno Bruto - exprime o valor da produção realizada dentro das fronteiras geográficas de um país, num determinado período, independentemente da nacionalidade das unidades produtoras. Em outras palavras, o PIB sintetiza o resultado final da atividade produtiva, expressando monetariamente a produção, sem duplicações, de todos os produtores residentes nos limites da nação avaliada. A soma dos valores é feita com base nos preços finais de mercado. A produção da economia informal não é computada no cálculo do PIB nacional."

A fórmula para se chegar ao valor do Produto Interno Bruto é:
PIB = C + I + G + NX onde
C = Consumo
I = Investimento
G = Despesa do Governo
NX = Exportações Líquidas
..: "Consumo" refere-se a todos os bens e serviços comprados pela população. Divide-se em três subcategorias: bens não-duráveis, bens duráveis e serviços;
..: "Investimento" consiste nos bens adquiridos para uso futuro. Essa categoria divide-se em duas subcategorias: investimento fixo das empresas (formação bruta de capital fixo) e variação de estoques;
..: "Despesa do Governo" inclui os bens ou serviços adquiridos pelos governos Federal, Estadual ou Municipal;
..: "Exportações Líquidas" trata-se da diferença entre exportações e importações.
Definições retiradas do portal IPIB.

Agora que já sabemos o que é PIB falta saber quanto foi. Em 2008 o PIB do Brasil foi de 2,9 trilhões de reais (2.900.000.000.000,00). Portanto, o mercado do livro no Brasil, que no mesmo ano teve o faturamento de 3,30 bilhões de reais, representa 0,11% do PIB. Como se vê, há muito para crescer.

Outra forma de avaliar o mercado é voltarmos o olhar para o número de exemplares. Em 2008 foram vendidos 333.264.519 exs; na divisão básica, 211.542.458 exs vendidos para mercado e 121.722.061 exs vendidos para governo. Em termos percentuais, 63,47% para mercado e 36,53% para governo.

É claro que são números imensos; são milhões, afinal. Entretanto, precisam de um parâmetro de comparação. Creio que o melhor é o que relaciona esses números com a população. Segundo dados do IBGE, o Brasil em 2008 tinha 189,6 milhões de habitantes (189.600.000). Considerando-se os exs vendidos para mercado, os 211.542.458 exs, e dividindo-se pela população do Brasil, obtem-se o número, a falsa média, de 1,1 (um vírgula um, isso mesmo) livros por habitante. É muito, muito pouco, não?

Segmentos do mercado do livro

Para melhor conhecer o mercado do livro as pesquisas já realizadas utilizam a seguinte divisão:
- Didáticos
- Obras gerais
- Religiosos
- CTP - científicos, técnicos e profissionais

Os números percentuais em faturamento e em exemplares são:
- Didáticos 41,09% do faturamento e 34,76% dos exs
- Obras gerais 26,36% do faturamento e 30,04% dos exs
- Religiosos 13,18% do faturamento e 23,76% dos exs
- CTP cient; técn; prof 19,37% do faturamento e 11,44% dos exs

Com relação a títulos novos no mercado, em 2008 foram lançados em 1ª edição 19.174 títulos. O ano, em termos nacionais, tem 249 dias úteis [365 - 104 (sáb + dom) - 12 (feriados nac.)]. Portanto, teve-se uma média de 77 novos títulos por dia no mercado.

Quanto aos canais de comercialização do livro, os principais são:
45,64% livrarias (inclui as ponto.com)
25,32% distribuidores
13,66% porta a porta
Estes três representam 84,62%

Com os números apresentados, o mercado do livro está em crescimento?
Em número de exemplares, sim (mercado):
+ 5,63% de 2007 para 2008 ou
+ 37,74% de 2004 para 2008

Em faturamento, não (mercado):
em 2004 o preço médio do livro foi de R$ 12,68
em 2008 o preço médio do livro foi de:
R$ 9,29 (deflacionado em relação a 2004) / queda de 26,73%
R$ 11,52 (corrente, sem deflação) / queda de 9,15%

O valor do preço médio é o valor líquido que entrou para o caixa das editoras. Pelas características da comercialização do mercado do livro, existe uma escala de descontos de 50% para os distribuidores e redes (estas são distribuidoras para as suas próprias lojas), e depois dos distribuidores para as livrarias com variação entre 30% e 40%. Sendo assim, o preço médio na ponta, para o consumidor final, foi o dobro do apresentado acima.

Questões atuais do mercado do livro

01 - Profissionalização
Uma das maiores, sem dúvida, é a busca da profissionalização que será determinante tanto para o crescimento quanto para a própria permanência no mercado das empresas que o formam, sejam elas livrarias sejam editoras, tendo em vista tanto a concorrência interna quanto externa. As instituições do livro podem, e devem ser, os canais para a busca da profissionalização do mercado. As principais, de abrangência nacional e por antiguidade, são:

22.11.1941 SNEL - Sindicato Nacional dos Editores de Livros
20.09.1946 CBL - Câmara Brasileira do Livro
05.05.1978 ANL - Associação Nacional de Livrarias
02.09.1987 ABEU - Associação Brasileira das Editoras Universitárias
27.10.1987 ABDL - Associação Brasileira de Difusão do Livro (porta a porta)
15.04.1991 ABRELIVROS - Associação Brasileira de Editores de Livros (didáticos)
05.06.1992 ABDR - Associação Brasileira de Direitos Reprográficos
01.08.2002 LIBRE - Liga Brasileira de Editoras
??.10.2006 Instituto Pró-Livro

Apesar dos esforços da CBL, SNEL e, mais recentemente, da ANL, ainda faltam dados estatísticos consolidados sobre o próprio mercado. Em muitos casos por falta de informações que as próprias empresas do mercado ainda têm receio de fornecer para alimentar as pesquisas. Não se sabe, com precisão, quantas editoras e quantas livrarias existem no país.

Desde 1991 CBL e SNEL patrocinam a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro que, a partir de 2007, passou a ser feita pela Fipe - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, da USP. Os dados apresentados até aqui vêm dessas pesquisas.

02 - Concentração
Na economia mundial, uma das características atuais é a concentração. No Brasil, no mercado do livro, começou pelas editoras. Segue levantamento:
a) Record comprou em
1997 - Bertrand Brasil
1997 - Civilização Brasileira
1997 - Difel
2001 - José Olympio
2004 - Best-Seller
2005 - joint-venture com Harlequin Books (do Canadá)

b) Saraiva comprou em
1998 - Atual Editora
2000 - Renascer
2001 - Solução
2003 - Formato Editorial
2007 - Pigmento Editorial
2008 - ARX
2008 - ARX Jovem
2008 - Futura
2008 - Caramelo

c) Ediouro comprou em
2002 - Agir
2004 - Relume-Dumará
2005 - Nova Fronteira (50%)
2006 - joint-venture com Thomas Nelson (americana)
2007 - Nova Fronteira (os outros 50%)
2007 - Nova Aguilar
2008 - Desiderata

d) Sextante comprou em
2007 - Intrínseca (50%)

03 - Internacionalização
a) Pearson
1996 - entrou no Brasil
2000 - comprou a Makron Books

b) Grupo Vivendi, em parceria com Editora Abril, comprou em
1999 - Ática
1999 - Scipione
2004 - Abril compra a parte da Vivendi

c) Grupo Prisa-Santillana comprou em
2001 - Moderna
2005 - Objetiva (75%)

d) Larousse
2003 - entrou no Brasil
2007 - comprou editora Escala

e) Planeta
2003 - entrou no Brasil
2006 - comprou Academia da Inteligência

f) Elsevier/Campus comprou em
2002 - Negócio Editora
2002 - Alegro
2005 - Impetus

g) Edições SM
2004 entrou no Brasil

h) Penguin Books
10.09.2009 é anunciada parceria com a Companhia das Letras

i) Grupo Leya
11.09.2009 é lançado oficialmente no Brasil

"O Brasil é um mercado emergente com grande potencial de crescimento, sobretudo na direção de livros com preços populares e com objetivos educacionais."

A opinião acima deixa bem claro os desafios que já podem ser vislumbrados, afinal, é a opinião de John Makison, presidente mundial de uma empresa que tem negócios em 60 países, a Penguin Books. (O Globo, 10.09.2009).

04 - Livrarias
A ANL - Associação Nacional de Livrarias fez um levantamento através do envio de questionários para saber quantas livrarias existem no Brasil. A própria ANL adverte que não é uma pesquisa e, sim, um levantamento de dados.

ANL considera "livraria" a empresa que oferece um bom acervo de livros, independente de vender outros produtos. Assim, chegou ao número de 2.676 livrarias no Brasil. Como o país tem 5.564 municípios além do DF, chega-se à falsa média de 0,48 livraria/município.

Essas 2.676 livrarias estão distribuídas pelas regiões geográficas e DF, da seguinte forma:
1.414 ou 53% na região Sudeste (são 4 estados)
524 ou 20% na região Nordeste (são 9 estados)
417 ou 15% na região Sul (são 3 estados)
132 ou 5% na região Norte (são 7 estados)
118 ou 4% na região Centro-Oeste (são 3 estados)
71 ou 3% no DF Distrito Federal (é 1 unidade)

A concentração também está presente, e muito, na distribuição das livrarias pelo país, como mostram os dados acima. Dentro de uma região geográfica também existe a concentração. Abrindo a maior região em número de livrarias, a Sudeste com 53%, temos os seguintes dados (arredondados) por estado:
SP tem 676 livrarias; representa 48% da região e 25% do Brasil (é 1/4)
MG tem 360 livrarias; representa 25% da região e 13% do Brasil
RJ tem 335 livrarias; representa 24% da região e 13% do Brasil
ES tem 43 livrarias; representa 3% da região e 2% do Brasil

No meu modo de ver o mercado livreiro iniciou um processo de concentração acelerado a partir de 2008, quando a Saraiva comprou a Siciliano e transformou-se, assim, na principal rede de livrarias do país em número de lojas. Este movimento da Saraiva acirrou a concorrência e estimulou outras redes a abrir mais lojas em menor espaço de tempo. Por exemplo, a Livraria Cultura abriu duas lojas em 2008, uma em 2009 e tem três anunciadas para 2010 (Fortaleza, Brasília e Salvador). No Rio, a Livraria da Travessa abriu uma loja em dezembro de 2008 e outra em setembro de 2009.

Esta concentração do setor livreiro com a expansão das redes também é facilitada pela migração, maior a cada ano, do comércio varejista para os shoppings. Os shoppings cada vez mais oferecem serviços além das tradicionais lojas, sem falar das questões ligadas à segurança, estacionamento etc. Como os custos de uma loja em shopping são elevados, é cada vez mais difícil encontrar pequenas livrarias nesses espaços, que são ocupados, preferencialmente, por lojas de redes que, em muitos casos, são lojas âncora. Alguns números para comprovar esta tendência:

Em 2000 o Brasil tinha 280 shoppings; já eram 377 em 2008, ou seja, crescimento de 34,64%. Qundo se olha para o número de lojas nesses mesmos anos, o aumento foi de 90,96%, passando de 34.300 para 65.500 lojas. Para 2009 estão previstos mais 23 shoppings e para 2010 mais 19 shoppings. Portanto, sem retorno desta tendência da concentração do comércio nos shoppings.

As principais redes de livrarias em número de lojas são:
100 lojas - Saraiva (base SP)
38 lojas - Laselva (base SP) considerei apenas uma por aeroporto
26 lojas - Leitura (base MG)
17 lojas - Livrarias Curitiba (base PR)
9 lojas - Cultura (base SP) + 3 em 2010
9 lojas - Fnac (base SP)
7 lojas - Travessa (base RJ)

Uma observação: a Nobel tem uma quantidade maior de lojas, em torno de 180 pontos de venda, mas são franquias, isto é, CNPJ diferentes e a responsabilidade pelos pagamentos é de cada franquia e não da franqueadora. Por isto, não a considero como uma rede como Saraiva, Cultura, Fnac etc.

05 - E-commerce
Na metade de 2009 já somos 15,2 milhões de e-consumidores e o e-commerce aumenta a cada ano no Brasil. O livro é a categoria mais vendida em número de pedidos com 17% em 2008. Este número demonstra que o produto livro, principalmente os títulos da cauda longa, que cada vez mais, têm menos espaço nas livrarias físicas terão, na web, o seu principal canal de comercialização.

Começa a acontecer um fenômeno interessante na web, que vai na contramão da concentração que existe no comércio via lojas físicas. Na web é possível a descentralização; é possível a concorrência entre gigantes, médios e pequenos. E assim, a cada dia, mais lojas são abertas na web. Alguns números para comprovação:
. os Top 50 vêm perdendo participação no mercado; comparando 1º semestre de 2008 com 1º semestre de 2009, temos:
. a Top 1, a B2W [Submarino+Americanas+Blockbuster+Shoptime] perdeu 5,50%;
. os Top 10 perderam 2,30%;
. os Top 50 perderam 1,60%;
. a partir da posição 51 houve ganho de 1,60%

Livro digital; novos suportes de comercialização; direitos autorias e pirataria ficam para outros posts.

Fontes de pesquisa:
Sites citados, tanto de instituições quanto de editoras e livrarias
Sá Earp, Fabio e Kornis, George. A Economia da Cadeia Produtiva do Livro, Rio de Janeiro, Bndes, 2005
Webshoppers
IBGE
ABRASCE

De como chegamos a este estado de coisas

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