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terça-feira, 13 de abril de 2010

As Livrarias e a Formação de Leitores

O mote para este pequeno post veio a partir de uma conversa com Tiago Ribeiro da Livraria Cultura, em Recife. Falávamos de livros, leitura e formação de novos leitores quando ele contou um caso recente. Certo dia entrou na livraria um menino de uns 10 ou 12 anos e perguntou pra ele onde ficava a seção de mitologia. Após o espanto inicial, de onde viria o interesse do menino por mitologia? Afinal, era um menino "comum" para a idade que aparentava ter.

Quem pensou em "Percy Jackson e os Olimpianos", a série infanto-juvenil da Intrínseca, acertou. Mas, e o que isso tem a ver com as livrarias ajudando na formação de novos leitores?

Deixando no ar a pergunta e voltando bastante no tempo, lembro que quando tinha uns 13 anos de idade, um dos livros que tive que ler para a escola foi Dom Casmurro, do grande Machado de Assis. É claro que tive muita dificuldade para ler o texto. Era chato parar a leitura, a cada página do livro, para ir consultar o dicionário para saber o significado das palavras escritas em 1900. Portanto, não foi uma leitura agradável e esse livro, naquele momento, não me teria despertado o interesse, nem fixado em mim o gosto pela leitura. Por ocasião do centenário de Dom Casmurro, no ano 2000, li novamente o livro e adorei.

Parece-me óbvio que a insistência de muitas escolas em indicar os chamados clássicos da literatura, principalmente aqueles com uma linguagem bem distante do mundo infanto-juvenil atual, não é a melhor forma de conquistar esses jovens para o gosto pela leitura. A leitura, a vontade de ler esses clássicos, provavelmente, virá depois.

Voltando à questão proposta, as livrarias devem aproveitar esta nova onda de interesse juvenil (a 1ª onda foi em 2000 com Harry Potter), para pesquisar nos catálogos das editoras títulos relativos às mais diversas mitologias, fazer exposição diferenciada desses títulos e, dentro das condições de cada uma, organizar eventos como contação de histórias, pequenas palestras, grupos ou clubes de leitura etc.

É importante perceber essas ondas de interesse de leitura que às vezes aparecem no mercado e tentar fazer que elas perdurem, que elas se espalhem para outros gêneros literários. Infelizmente, com algumas poucas exceções, não sinto essa preocupação por parte dos livreiros. Acho que já é hora de ampliar os horizontes e entender que a responsabilidade pela formação e manutenção de novos leitores não pode ficar restrita à escola e aos pais. Livrarias e editoras, por exemplo, devem participar desta formação de novos leitores. Deixando o "romantismo" de lado, estes jovens leitores, afinal, serão os futuros consumidores de seus produtos (no caso das editoras) e de suas mercadorias (no caso das livrarias), por consequência, os consumidores que garantirão seus negócios.

Como sugestão seguem alguns títulos da Zahar relacionados com o tema mitologia:

Para jovens
Diário de Pilar na Grécia
Agito de Pilar no Egito
Folia de Pilar na Bahia






Para aprofundar
Guia de Mitologia
Viagem Através dos Mitos, Uma
Do Olimpo a Camelot: um panorama da mitologia europeia
Dicionário de Mitologia: grega e romana

sábado, 15 de novembro de 2008

Espaço Infanto-Juvenil nas Livrarias

Uma pequena nota na revista Exame n. 931 de 19/11/2008 deu-me o gancho para este post. A nota é a seguinte: "O Brasil ganhou destaque na operação global da rede francesa Fnac. A operação brasileira, (...) é a que mais cresce no mundo, com aumento de 30% sobre as vendas de 2007. (...) Mas o destaque mais recente é a área de produtos infantis, que engloba livros, filmes e aparelhos eletrônicos. A venda de produtos para crianças cresceu tanto que, no último mês, todas as lojas da Fnac foram reformadas e a área infantil passou de 50 para 100 metros quadrados."


Fui atrás de alguns números para ajudar a comprovar a nota, mas só existem números relativos à produção de exemplares, que servem assim mesmo. Na pesquisa encomendada à FIPE pela CBL e Snel para o ano de 2007, o número de exemplares infanto-juvenis impressos foi de 23.275.320, o que equivale a mais 14,33% sobre o ano de 2006, quando foram impressos 20.357.066. Nestes números estão incluídas as vendas para governo. Como nenhum editor fica imprimindo livro à toa, pode-se inferir que as vendas aconteceram em números muito próximos da impressão. Mais um dado para ressaltar o crescimento dos infanto-juvenis: na área de literatura adulta, que é a que mais vende na maioria das livrarias, o número de exemplares impressos foi de 22.400.337 em 2006 e de 21.967.730 em 2007. Portanto, o número de impressões de exemplares infanto-juvenis foi maior do que o adulto em 2007.


Pensando bem, nem seria necessário apresentar os números acima para comprovar o crescimento da área infanto-juvenil; basta olhar para as livrarias físicas e ver como estão esses espaços e como eram eles antes do ano 2000. Uso o ano 2000 como divisor pois, nesse ano, é inaugurada a loja da Livraria Cultura no shopping Villa-Lobos em SP, que vem com a novidade de uma grande área infanto-juvenil nitidamente pensada como tal. Essa área tem um gigantesco dragão em madeira como personagem, o que possibilita a exposição diferencida de livros e permite que os pequenos leitores interajam com ele. Hoje, tanto nas grandes redes quanto nas pequenas e médias livrarias, existe uma preocupção em oferecer espaços infanto-juvenis diferenciados, inclusive com eventos nos finais de semana, com contação de histórias, teatrinho e atividades manuais lúdicas, para atrair cada vez mais as crianças e os pais ou adultos responsáveis que, assim, passaram a ter uma opção de diversão barata para as crianças. Como criança não vai sozinha às livrarias esses espaços possibilitam vendas em todos os setores da loja pois os adultos, necessariamente, também estarão nas livrarias. Quem ainda não percebeu a importância da área infanto-juvenil tanto na venda imediata, quanto na formação do consumidor de livros adultos, em que se transformará a criança de hoje, é bom se juntar ao movimento.


Para quem ainda não se deu conta, no catálogo da Zahar também existem publicações infanto-juvenis. A editora começou essa nova área em 2001 com a publicação de As Peripécias de Pilar na Grécia, de Flávia Lins e Silva. Essa nova área mantém a qualidade editorial da casa, o que pode ser atestado pelas constantes compras por parte de órgãos governamentais (PNLD, FDE, etc) e adoções escolares. Segue a relação de alguns dos títulos:





































De como chegamos a este estado de coisas

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