domingo, 31 de outubro de 2010

É Possível Fraudar a Eleição?

Inicialmente peço desculpas aos leitores e seguidores do blog por usar este espaço, dedicado a assuntos relacionados ao livro, para falar de um outro. Se o faço, é porque julgo o assunto grave e não tenho outro meio de compartilhar o que aconteceu comigo.

Hoje fui votar no segundo turno da eleição presidencial por volta das 15:30h na cidade do Rio de Janeiro. Entreguei o documento de identidade, meu nome foi localizado na lista e, então, aconteceu o que eu não imaginava que pudesse acontecer: alguém tinha votado por mim!

Ressalto que o mais importante não é saber para quem foi feita a fraude, mas sim, saber que é possível fraudar o processo de votação. A questão é de princípios em primeiro lugar, de confiança no processo eleitoral como um todo.

Numa eleição em que seja possível um segundo turno, na lista de votação de cada seção eleitoral, logo abaixo do nome de cada eleitor, existem dois espaços para a assinatura do votante. No lado direito da folha existem os dois comprovantes de votação com um picote no meio, um para cada turno.

Votei no primeiro turno nesse mesmo local físico; aliás, voto lá desde sempre. Depois que meu nome foi localizado na lista de eleitores um dos integrantes da mesa, ao ver que já havia sido destacado o comprovante de votação e que existia uma assinatura na lista (na verdade somente uma rubrica), disse que eu já tinha votado. Surpreso, respondi que EU não tinha votado ainda. O presidente da seção então pediu o número do título para digitar no sistema que dá acesso à urna eletrônica. Sabe qual foi a resposta na tela? Que o número do meu título já constava como tendo votado. Eu vi isso escrito na tela. Para segurança do processo de votação, não é possível um título eleitoral ter mais de um voto registrado na urna eletrônica, o que é correto, é claro. Portanto, não pude votar via urna eletrônica. E também não foi possível votar em separado. Recebi um comprovante intitulado: DECLARAÇÃO DE COMPARECIMENTO SEM VOTO e a orientação de comparacer ao cartório eleitoral a partir do dia 04/11. O presidente da seção também fez o devido registro na Ata da seção explicando o caso.

O presidente da seção, aliás, demonstrou muito interesse em tentar entender o que estava acontecendo. Ele verificou se existia algum nome homônimo, se o meu comprovante tinha sido destacado no lugar de outro por engano, se aquela rubrica existia em algum outro nome da lista etc, mas nada. Depois dessa busca ele foi ao coordenador do local de votação comigo e expôs o caso. O coordenador ligou para outro local para ver se existia algum jeito de eu votar. Depois de desligar o celular disse que não seria possível votar (não ouvi o outro lado da conversa dele) e completou dizendo que nenhum sistema é "imune".

Tem um dado importante que ainda não mencionei. Na lista de votação não consta a minha assinatura na eleição do primeiro turno, mas eu votei, tenho o comprovante e mostrei-o na hora, pois estava comigo. Também vi, na hora em que o presidente da seção folheava a lista, que existiam outros nomes sem a assinatura referente ao primeiro turno e notei a seguinte diferença: em alguns estava escrito com caneta NC. Perguntei o que era isso às pessoas da seção e fui informado que era um controle deles e que queria dizer "não compareceu", no caso, no primeiro turno. E em outros, como no meu caso, o espaço para a assinatura estava em branco. É claro que eu não assinei no primeiro turno, não porque não quisesse fazê-lo, mas porque não me foi dada a lista para assinar, tenha sido com essa deliberada intenção ou por descuido mesmo, e eu não percebi esse detalhe naquele momento.

Saí da seção e fiquei por ali um bom tempo tentando encontrar algum sentido, alguma explicação para o que estava acontecendo, e cheguei à conclusão que é possível fraudar uma eleição mesmo com a urna eletrônica. A fraude não seria na urna em si; a fraude seria (é) realizada antes, no processo de votação, para o qual pensei as seguintes vulnerabilidades:

1-no primeiro turno, além da eleição presidencial, existe a eleição para mais quatro cargos (governador, senador, deputados federal e estadual); logo, existe uma "pressão" para que o processo seja o mais rápido possível. Portanto, fica fácil fazer com que algumas pessoas fiquem sem assinar na lista de eleitores, como foi o meu caso. E porquê é importante que a assinatura do primeiro turno esteja em branco, no caso de se querer fraudar a votação? Porque, na votação do segundo turno, que é bem mais rápida, com no máximo dois votos (presidente e governador), será mais difícil fazer com que alguém não assine a lista. O fraudador então, ao assinar na lista não teria essa falsa assinatura confrontada instantaneamente com a da linha acima. No meu caso aliás, não é nem uma assinatura que está lá na lista. É uma tosca rubrica começando com um J. Será que essa "assinatura" foi conferida com o documento que por ventura tenha sido apresentado?

Aliás, você leitor e eleitor, lembra de alguma votação sua em que alguém da seção verificou se a assinatura que você fez na lista de votação confere com a do documento que você entregou para sua identificação? Eu não consegui lembrar de nenhum caso em todas as votações de que já participei. Só é conferido o nome e a fotografia. E aqui, no caso da fotografia, vislumbrei outra vulnerabilidade do processo de votação, e que é o seguinte:

2-na minha carteira de identidade, assim como na de milhões de outras pessoas, a foto é colada, e não impressa de forma digitalizada. Portanto, é fácil tirá-la e/ou colar outra por cima. Assim, é possível fazer com que outra pessoa vote no seu lugar, tendo em vista que não é conferida a assinatura e é permitida uma rubrica como assinatura, conforme o relatado acima.

Agora só me resta ir no cartório eleitoral para ver o que será feito com relação ao caso acima e, depois, completarei este post. E ainda não me conformo de não ter podido votar!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

E-commerce em alta no Brasil

O e-commerce no Brasil cresceu 40% no período de janeiro a junho de 2010 na comparação com o mesmo período em 2009. O tíquete médio foi de R$ 379,00 e o faturamento atingiu R$ 6,7 bilhões. Esta é a principal informação que consta da 22ª edição do WebShoppers.

O WebShoppers utiliza informações, capturadas pela e-bit, provenientes de 2.500 lojas virtuais. Esses dados são coletados dos e-consumidores logo depois das suas compras (eu já respondi esses questionários várias vezes).



Por falar em e-consumidores, chegou-se ao número de 20 milhões de pessoas que compraram pela internet ao menos uma vez, até o fim do 1º semestre de 2010. Para medir a importância desse número, em maio de 2010, a comScore apurou 35.888.000 (35,88 milhões) de pessoas, com idade de 15 anos ou mais, que acessaram a internet como visitantes únicos (se você acessou todo dia, só foi contado como uma única visita, um único visitante) de casa ou do trabalho. Não foi computada a visitação de computadores públicos como em universidades, cyber-cafés, ou acessos por telefones celulares ou PDA’s.

A comScore apurou o acesso também por faixa etária, e que é o seguinte:
de 15 a 24 anos: 10,421 milhões
de 25 a 34 anos: 12,408 milhões
de 35 a 44 anos: 7,641 milhões
de 45 a 54 anos: 3,782 milhões
de 55 pra cima : 1,636 milhões

Como curiosidade, mas que não utilizei pois ainda não podem comprar por eles mesmos, a comScore também apurou que na faixa etária de 6 a 14 anos, existem no Brasil 4,825 milhões de pessoas (crianças) com acesso à internet.

Portanto, 20 milhões de e-consumidores representa 55,74% dos 35,88 milhões de potenciais compradores. E ambos os números crescem a cada semestre.

Com relação às categorias de produtos mais vendidas no 1º semestre de 2010, o resultado foi o seguinte:
1º LIVROS e assinaturas de jornais e revistas
2º eletrodomésticos
3º saúde, beleza e medicamentos
4º informática
5º eletrônicos

A Associação Nacional de Livrarias - ANL divulgou recentemente que 44% das livrarias brasileiras vendem pela internet. Enquanto as outras 56% não entram, empresas que não são originalmente livrarias vão ocupando esse espaço. E, na verdade, não são pequenos players que gostam, cada vez mais, de vender livros pela internet. E por que será que:
Americanas
Compra Fácil
Extra
Lojas Colombo
Ponto Frio
Safari Shop
Submarino
Wal-Mart
e em breve É Fácil, além do Ricardo Eletro, querem vender livros pela internet?